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“Não pomos em causa a redução do défice“”, diz líder da CGTP

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João Relvas / Lusa

Arménio Carlos diz, em entrevista ao “Diário Económico” que o fundamental é como se reduz o défice e quais são as opções

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O secretário-geral da CGTP, que é simultaneamente membro do Comité Central do PCP, afirma que não põe em causa a redução do défice, mas que o que conta é como se reduz e quais são as opções, pelo que entende que tem de haver sensibilidade social.

"Não houve dinheiro para dar resposta aos problemas da saúde e da educação, mas houve para o setor financeiro, nas condições que sabemos e que estamos a pagar", afirma em entrevista ao "Diário Económico" desta segunda-feira, considerando que o Tratado Orçamental reduz a capacidade de fazer investimento público e, simultaneamente, provoca a contração da economia.

Para Arménio Carlos, o entendimento entre PS, PCP, Bloco de Esquerda e Verdes é "um passo histórico" e que se trata de um processo, no qual todos concluíram que que têm diferenças profundas em relação a algumas áreas e que o fundamental "não é discutir diferenças" mas "encontrar soluções para juntar forças e vontades".

"O que se fez foi meter na gaverta e colocar lá aquilo que pode originar divergências, pondo em cima da secretária aquilo que pode ser um elemento de compromisso para dar resposta aos problemas do país", afirma.

O líder da CGTP também considera que o PCP não precisa de estar no Governo, mas que qualquer um que venha ser constituído "tenha em consideração as propostas e reivindicações da CGTP como um contributo", dando início a à construção de uma política alternativa.

À pergunta sobre se a pressão da CGTP realtivamente a um Governo de esquerda poderia condicionar o PCP, Arménio Carlos responde que "não tem de condicionar, cada um está na sua área". Quanto à reposição de cortes nos salários e pensões, afirma que se trata do "cumprimento da decisão do Tribunal Constitucional".

Sobre o aumento do salário mínimo, que a CGTP propõe passe para 600 euros, Arménio Carlos diz acreditar que seja possível e que estão disponíveis para discutir com as confederações patronais. "Temos margem negocial", diz.

O secretário-geral da CGTP também se manifesta a favor de "mais investimento público com retorno" e que um Governo de esquerda "pode e deve ser diferente".

E afirma: "Se essa diferença no plano social, no plano laboral, for refletida e acima de tudo apoiada pela população, creio que entidades como o Conselho Europeu e a Comissão Europeia têm de olhar para Portugal de outra forma".

Arménio Carlos diz também que sabe que existe grande preocupação, nomeadamente do PP em Espanha, e que "os peões já começaram a movimentar-se aos mais diversos níveis, em Espanha e também na Comissão Europeia. Sabemos de pressões que já estão exercidas, até no próprio Conselho Europeu", afirma.