Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Daniel Bessa. “Costa vai ter que subir alguns impostos. Isso é incontornável”

  • 333

Daniel Bessa, diretor-geral da COTEC

Paulo Alexandrino

O antigo ministro da Economia fala em “populismo” e “ignorância”. Considera que a economia do país se encontra numa “situação de necessidade” que continua exigir “extremo cuidado”. E admite que o aumento de alguns impostos não será suficiente

O economista Daniel Bessa afirma que caso António Costa seja nomeado primeiro-ministro terá que, inevitavelmente, aumentar os impostos. “Daqui a dois ou três meses, António Costa, se estiver no lugar em que estamos aqui a admitir que se encontra - de primeiro-ministro - terá que fechar um Orçamento, e vai ver que não bate certo. Ele pode puxar um bocado pela coisa, pode pôr a economia a crescer um bocado mais, e isso dá mais receitas. Portanto, lá vai tentado fechar a conta, mas não vai”, disse o diretor-geral da Cotec Portugal em entrevistam, este domingo, ao programa “Conversas Cruzadas” na Rádio Renascença.

Conclusão? “Em algum momento, António Costa vai concluir que vai ter que subir alguns impostos”, garante.

Sublinhando que as medidas anunciadas pelo PS, no essencial, reduzem a receita e aumentam a despesa, Daniel Bessa diz duvidar do cumprimento dos objetivos orçamentais. “Achei interessante que Costa tenha dito : 'comprometo-me com os meus parceiros a reduzir a despesa e a aumentar a receita e depois, fica do meu lado a obrigação de garantir a consistência [das contas] e o défice. Sinceramente, não sei como isso vai ser feito. Virão aí uns aumentos de impostos e não sei bem se chegará”, acrescenta.

O antigo ministro da Economia defende que até o programa da coligação PSD/CDS seria difícil de cumprir, uma vez que recuou em relação a algumas metas orçamentais. “Eu acho que a coligação, que ainda é Governo, terá imensa dificuldade em cumprir o seu programa, porque aliás já recuou. O programa deste Governo - que vai ser discutido e derrotado na Assembleia da República - recua em relação a alguns compromissos orçamentais. Se a coligação está em dificuldade, o PS estaria em mais dificuldade”, sustenta.

Afirma que o cenário macroeconómico do PS já estava “muito salgado” e que com as propostas do BE e do PCP o programa socialista compromete ainda mais os objetivos orçamentais.

Alerta ainda que a situação de dificuldade do país não terminou e que continua a exigir “extremo cuidado”. “Continuo a achar que é preciso uma opinião pública muito informada para se resistir a movimentos como estes, que apelam basicamente ao populismo e ignorância. Só uma opinião pública muito informada é que consegue perceber a situação de necessidade em que o país se encontrou e que determinou as medidas que foram impostas”.