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Costa pede aval à Comissão Política sem mostrar texto do acordo com PCP

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José Caria

A Comissão Política do PS reuniu-se esta noite para dar o seu aval a um acordo de governação com os partidos à sua esquerda e, em consequência, aprovar a apresentação de uma moção de rejeição ao Programa do Governo PSD/CDS. Mas ninguém viu os termos exatos do acordo

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

António Costa chegou à reunião da Comissão Política do PS, marcada para as 21h30 deste domingo, confortado pela decisão unânime do Comité Central do PCP de aprovar um entendimento histórico com o PS. Mas (ainda) sem papel escrito para mostrar aos dirigentes socialistas. Sabe-se que os comunistas se propõem a um acordo "duradouro", mas se está escrito, preto no branco, que garantem a viabilização dos quatro orçamentos do Estado para a legislatura é o que ainda está para se ver.

O líder do PS, a quem coube a intervenção inicial, fez um ponto da situação das negociações com BE, PCP e PEV e assegurou que, para além de um acordo sobre um programa da Governo (já aprovado, ontem, por larga maioria na Comissão Nacional), estão também preenchidas as condições "para uma alternativa real, credível e duradoura" - leia-se, as condições que permitirão ao PS governar durante toda legislatura.

Sem suporte escrito das suas palavras - até ao momento da publicação deste texto, pelo menos -, Costa propôs ainda aos membros da Comissão Política que autorizem o PS a apresentar na próxima terça-feira, na Assembleia da República, uma moção de rejeição do programa do Governo PSD/CDS - assim deixando perceber que, apesar do acordo, não haverá uma moção conjunta da esquerda; cada partido, portanto, irá apresentar o seu próprio texto.

Três semanas depois de se ter demitido do Secretariado Nacional, Sérgio Sousa Pinto pôde explicar, finalmente, perante a Comissão Política, as razões para a sua decisão e que se prendem con uma profunda divergência da estratégia seguida. E fê-lo de forma muito veemente (com uma intervenção "de arrasar", segundo descrito ao Expresso).

Francisco Assis falou logo a seguir, repetindo no órgão executivo do PS (de que não faz parte mas foi convidado, com os restantes eurodeputados, a participar) as reservas que tem vindo a expressar publicamente. À entrada da sede nacional do PS, de resto, em declarações aos jornalistas, voltou a afirmar não acreditar nesta solução, apesar de entender que o Presidente deve indigitar o PS para formar Governo ("um Governo de gestão era a pior solução").

Assis garante que respeitará a decisão tomada pela Comissão Política ("não vou entrar em guerrilhas", disse) mas diz recear que as divergências entre o PS e os demais partidos de esquerda sejam "de tal ordem que não dão garantias de termos um Governo verdadeiramente reformista como é necessário". Eurico Brilhante Dias, outro dos críticos, falou a seguir.

Apesar das notas dissonantes, ninguém admitia que, à semelhança do sucedido no sábado com a Comissão Nacional, a Comissão Política não desse por larga maioria a sua benção ao acordo com a esquerda.