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Esquerda prepara-se para enfrentar “gigantescas pressões”

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NUNO BOTELHO

Catarina Martins identificou já os adversários: a Europa da austeridade; os grandes interesses internacionais e os grandes grupos económicos

Marta Caires

Jornalista

O governo socialista com maioria de esquerda na Assembleia da República irá repor salários e pensões, parar as privatizações e aliviar a carga fiscal, mas Catarina Martins alerta para as “gigantescas pressões”. Segundo a porta-voz do Bloco de Esquerda, que esteve este domingo numa sessão de esclarecimento aos militantes no Funchal, as pressões virão de adversários como a “Europa da austeridade”; os “grandes interesses internacionais”, que têm na mira as privatizações; e os “grandes grupos económicos”, os que mais ganharam com a perda de direitos dos trabalhadores.

Apesar das dificuldades que se avizinham, apesar de não ser tudo aquilo que o Bloco de Esquerda queria que fosse, o acordo – que já foi aprovado pela comissão nacional do PS e pelo BE – é o melhor para “quem trabalha e para quem trabalhou uma vida inteira”, uma referência à recuperação dos salários e ao descongelamento das pensões. Catarina Martins garantiu que o acordo permite ainda um alívio fiscal, a redução da TSU para os salários mais baixos e a caça aos falsos recibos verdes. Este acordo “é uma esperança de alterações concretas na vida das pessoas”.

Se estão acertadas medidas concretas para garantir mais condições e melhores salários a quem trabalha, a porta-voz do Bloco de Esquerda sublinhou, neste encontro no Funchal, que ficou acordado parar de imediato as privatizações. As privatizações, que a direita “inventa sempre mais uma”, são, na perspetiva do BE um atentado ao Estado social e uma forma de fazer negócio com as funções do Estado. São ainda, segundo Catarina Martins, uma maneira de criar uma rede de interesses à sombra do Estado, que sem escrutínio público, iria gerir os transportes, a Saúde, a Educação.

A porta-voz do Bloco de Esquerda, que falou para uma sala cheia na qual estava presente o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, fez questão ainda de esclarecer as razões políticas do acordo do PS, lembrou que o BE esteve sempre disponível para negociar desde que se parasse a descapitalização da Segurança Social e se descongelasse as pensões. Pontos com os quais o PS concordou. Catarina Martins também quis desmontar a ideia de se estar perante um golpe de Estado, teoria de que tem falado a direita desde as eleições de 4 de Outubro.

Não se trata de golpe de estado, explicou, mas de um facto muito mais simples: a democracia a funcionar. Ou seja, a coligação do PSD e do CDS perdeu 700 mil votos, perdeu a maioria e não tem neste momento votos suficientes para fazer aprovar o programa de Governo e os orçamentos de Estado. Há quatro anos teve e aprovou. “Agora não têm votos suficientes, perderam a maioria absoluta, é mesmo assim, é a democracia a funcionar”, disse Catarina Martins aos militantes da Madeira, a quem elogiou os resultados obtidos nas eleições regionais e nas eleições legislativas com o feito histórico de ter elegido um deputado à Assembleia da República.

  • Catarina Martins: “Não há aqui nenhum golpe. O que há é democracia”

    Num discurso proferido este domingo, no Funchal, a líder do Bloco de Esquerda sublinhou que foi possível chegar a um acordo com o PS porque ambas as partes fizeram “compromissos”. No entanto, Catarina Martins admite que o entendimento não é suficiente para “transformar” o país, mas é uma “alternativa à direita”