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Comité central dá luz verde ao PS para acordo de legislatura

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Alberto Frias

Jerónimo de Sousa falou de uma “solução estável e duradoura na perspetiva da legislatura” e disse que está para breve o anúncio dos termos do entendimento. O comité central “confirmou e autorizou” a decisão por “unanimidade informal”

Duas frases são essenciais na leitura do comunicado do comité central comunista: "em definitivo" e "na perspetiva de uma legislatura". A primeira quer dizer que o texto para um acordo político com o PS está encerrado, pelo que ao PCP diz respeito. A segunda significa que o órgão máximo comunista aceitou dar garantias de um apoio político "duradouro", tal como António Costa vinha pedindo.

A bola passou para as mãos da Comissão Política do PS que, dentro em breve, reunirá no Largo do Rato. Na Soeiro Pereira Gomes, a reunião do comité central terminou com a garantia de que "estão preenchidas, pela parte do PCP, as condições" para que os socialistas formem Governo, apresentem "o seu programa, entrem em funções e adotem uma política que assegure uma solução duradoura na perspetiva da legislatura".

O comité central avalizou o entendimento político com os socialistas através de uma "unanimidade informal", segundo Jerónimo de Sousa. Quer isto dizer que a matéria nao foi submetida a votação, até porque a reunião ainda prossegue e a direção prescindiu de auscultar a opinião dos 148 dirigentes que integram aquele órgão máximo do partido entre Congressos.

Os comunistas foram mais longe do que nunca no texto do acordo político que falta concluir com o PS. E, embora a última palavra esteja do lado socialista, Jerónimo de Sousa foi sublinhando que "a possibilidade agora aberta não deve ser desperdiçada" e deixou sinais claros de que a luz verde para um Governo socialista está dada.

Só "por respeito" ao parceiro de negociações, o líder comunista se escusou a dizer quando será anunciado o acordo. "Em breve", disse aos jornalistas, garantindo ter "confiança de que este é um processo que vai chegar a bom porto".

E falando pela primeira vez sobre o clima negocial, assumiu que "nunca houve crispação" e que "foi um debate em que cada um soube ouvir e nunca exigiu ao outro que deixasse de acreditar nas suas convicções".

Cavaco, o alvo

Com o clima entre PS e PCP desanuviado, o alvo dos ataques comunistas passou a ser concentrado na figura do Presidente da República. O comité central "não reconhece a Cavaco Silva nem legitimidade política nem dimensão democrática para tecer considerações sobre o papel e o percurso do PCP enquanto partido incontornável da democracia portuguesa".

A direção comunista não perdoa as palavras do Presidente na altura em que chamou Passos Coelho a formar Governo. Uma "deplorável comunicação", consideraram os comunistas, para quem o Chefe de Estado entrou em "assumido confronto com a Constituição Portuguesa".

O "comprometimento e o apoio do Presidente a um Governo e a uma política que tanto rasto de destruição têm deixado" são assuntos inquestionáveis para o PCP. Mas agora, com a perspetiva de um Governo de esquerda no horizonte, Jerónimo de Sousa não tem dúvidas de que Cavaco não "pode meter prego nem estopa nessa matéria". O recado ficou dado.

Leia aqui na íntegra a declaração de Jerónimo de Sousa.