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Catarina Martins: “Não há aqui nenhum golpe. O que há é democracia”

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HUGO DELGADO/LUSA

Num discurso proferido este domingo, no Funchal, a líder do Bloco de Esquerda sublinhou que foi possível chegar a um acordo com o PS porque ambas as partes fizeram “compromissos”. No entanto, Catarina Martins admite que o entendimento não é suficiente para “transformar” o país, mas é uma “alternativa à direita”

“Não há aqui nenhum golpe. O que há é democracia”, afirmou Catarina Martins, referindo-se à constituição de um novo Governo à esquerda, que pode acontecer caso o Executivo PSD/CDS não sobreviva à votação do seu programa, em São Bento, na próxima terça-feira.

“O programa do PSD/CDS vai ser rejeitado na Assembleia da República, porque eles não têm os votos para fazer passar o seu programa ou o orçamento do Estado. Não têm votos na Assembleia da República não podem ser Governo. E se não têm votos é porque quem foi votar no dia 4 não lhes quis dar esses votos”, afirmou Catarina Martins durante a sessão pública.

“Bem sei que à direita custa muito esta ideia, mas perderam. E há agora uma outra maioria”, acrescentou.

Catarina Martins reafirmou que desde a pré-campanha sempre se mostrou disponível para negociar uma alternativa de Governo, mas para isso acontecer os socialistas teriam que abandonar “três ideias que para o Bloco caracterizam o que é a austeridade”: “acabar com o regime conciliatório, acabar com a descapitalização da Segurança Social através da redução da TSU dos patrões e descongelar as pensões”.

Estas três condições inicialmente impostas pelo BE foram discutidas e aceites pelo PS. “Os compromissos e as convergências foram feitos por todos os partidos”, assegurou. “Não há ninguém que não conheça as diferenças entre o Bloco e o programa do Partido Socialista. E durante a campanha sempre fomos claros sobre essas diferenças. Mas, durante a campanha, também fomos claros sobre a diferença entre a direita e o PS”, esclareceu.

Catarina Martins admite, no entanto, que o acordo alcançado ainda não é o suficiente para fazer as “transformações” de que Portugal precisa. “Esta é toda a transformação que o Bloco de Esquerda considera necessária para o país? Não. Se é esta uma alternativa à direita? Sim, é”, defendeu a bloquista.

“Este acordo garante que há uma recuperação dos rendimentos do trabalho. Não é coisa pouca, embora não seja tanto como queríamos. Mas não é tanto porque durante quatro anos foi feito exatamente o contrário e é exatamente o contrário que está no programa da direita”, disse ainda a líder do Bloco de Esquerda.