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Política

António Barreto. Parlamento é “casa assombrada” e deputados dão “desculpas de preguiçosos”

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Tiago Miranda

No artigo de opinião que assina este domingo no “Diário de Notícias”, o ex-ministro do Executivo liderado por Mário Soares fez duras críticas ao papel da assembleia, que considera “inútil, inoperante e incapaz”

António Barreto não se poupa nas palavras: “Este Parlamento mete dó!”, afirmou o sociólogo referindo ainda que o último mês serviu para esclarecer e “revelar à luz do dia” a “futilidade, a dependência do governo, a função de arena de mau gosto, a alta de espírito de corpo, a ausência de orgulho e a deficiência de honra” de São Bento.

“Olha-se para São Bento e o que se vê? Uma casa assombrada. Um Parlamento inútil, inoperante e incapaz”, lê-se no artigo de opinião do DN.

Barreto acusa os 230 deputados de se passearem “pela intriga partidária” e de serem incapazes de fazer “qualquer coisa que se veja, que interesse ao país e que justifique o vencimento que recebem”. Chama-lhes “preguiçosos” e acusa-os de usarem a desculpa de que estão à espera do Governo.

Barreto lamenta ainda a disciplina de voto “imposta por todos os partidos aos seus deputados”, e afirma que ninguém tomará decisões “de abrir um livro ou fechar uma porta” sem antes pedir “autorização superior”.

O cronista ainda vai mais longe ao comparar a assembleia a um recinto de festas. “Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se jeropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados!”

“Circo de São Bento foi certamente a alcunha que mais bem lhe colou à pele. Pois bem, o Circo está fechado para obras. A casa da liberdade está devoluta! O Fórum da democracia está mudo!”, escreveu Barreto.