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“Sócrates à presidência”, ouve-se em Vila Real

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Rui Duarte Silva

No calor da receção ao antigo primeiro-ministro, muitos confessam acreditar que um dia ele será presidente e há quem grite isso mesmo , em jeito de despedida, no fim da sua palestra

“Gostávamos de ver José Sócrates na corrida à presidência da República e, em casa, falamos disso, às vezes. Sabemos que neste momento é impossível, mas esperamos que no futuro surja o momento dele”. As palavras são de Justina Vagaroso, presente no Teatro Municipal de Vila Real, ao lado do marido, para dar o seu apoio a José Sócrates.

Natural de Vila Real, esta antiga empresária do setor da restauração, agora na reforma, repete o desejo que alguns dos presentes foram confessando ao Expresso: um dia querem ver Sócrates em Belém, mas sabem que ainda não será no próximo ano, vão dizendo um a um enquanto esperam a chegada de José Sócrates dentro e fora do Teatro Municipal.

Já no final da intervenção do antigo primeiro-ministro, no momento em que José Sócrates dá e recebe abraços em cima do palco, alguém grita “Sócrates à presidência” e, logo a seguir, ouvem-se palmas.

Mas as palavras que o ex-primeiro-ministro mais ouviu nesta deslocação a Vila Real, para o seu segundo discurso público desde que deixou de estar em prisão domiciliária, foram de agradecimento, sempre na sua formulação mais simples: “obrigada”, “muito obrigada”.

“Obrigada pelo exemplo de força e coragem que tem dado”, concretiza José Morais, um professor de Vila Real, “obrigada pelo que fez por Trás-os-Montes e por Portugal”, acrescenta Alberto Vagaroso, marido de Justina e antigo fiscal da Casa do Douro. Ambos destacam de imediato "o túnel do Marão" como uma grande obra que a região deve a José Sócrates.

De calças de ganga, camisa branca, gravata vermelha, blazer escuro, José Sócrates chegou ao local marcado para o encontro com as gentes de Vila Real com 10 minutos de atraso. Foi de imediato envolvido por pessoas, conhecidas e desconhecidas, que o queriam abraçar, beijar, saudar, aconselhar a “manter a força” porque “quem desiste não alcança”.

Rodeado também por jornalistas, avançou entre empurrões, apertos e palmas dos presentes até ao palco, onde recebeu uma rosa branca. Comovido, sentou-se à mesa preparada para a sessão, ladeado pelo presidente da concelhia do PS e presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, e pelos ex-autarcas e ex-governadores civis Artur Vaz e Alexandre Chaves.

Na primeira fila estava José Lello, que já tinha anunciado na sua página do Facebook a decisão de faltar à reunião da Comissão Nacional do PS para estar com Sócrates. Na assistência estavam pessoas de Vila Real, autarcas e ex-autarcas da região. Ocupavam os 145 lugares do auditório, mas também todos os corredores laterais e, até, o palco.

Assobiaram e gritaram contra a presença de jornalistas do Correio da Manhã, proibidos de publicar notícias sobre a "Operação Marquês", que envolve José Sócrates, na sequência de uma providência cautelar interposta pela defesa do ex-primeiro ministro. Aplaudiram quase todas as frases do antigo governante ao longo de uma intervenção que durou cerca de uma hora e foi feita com o apoio de algumas folhas A4 escritas à mão.

No final, voltaram a rodear Sócrates, que estava acompanhado do seu antigo chefe de gabinete André Figueiredo. Houve entrega de mais flores. Houve mais beijos e abraços, por vezes longos. Houve, até, algumas palavras aos jornalistas, mas apenas para se manifestar “sensibilizado com o calor do apoio transmontano” e dizer que “sim”, tem seguido atentamente a situação política do país, e “não”, não falou com António Costa. Partiu pelas 19h15, num Mercedes escuro.

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