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Portugal reforça participação na Força de Reação Rápida na NATO em 2016

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José Pedro Aguiar-Branco, ministro da Defesa, general Pina Monteiro, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Macieira Fragoso, chefe de Estado-Maior da Armada e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg na chegada esta quinta-feira ao Ponto de Apoio Naval de Tróia

José Caria

A Marinha com uma fragata e a Força Aérea com seis F-16 mantêm participação dos últimos anos, mas o Exército passa de uma companhia de reconhecimento para um batalhão de infantaria

Carlos Abreu

Jornalista

Portugal contribuirá em 2016 para Força de Reação Rápida (NRF) da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) com um batalhão de infantaria mecanizado, uma fragata e seis caças F-16, disse esta quinta-feira o ministro da Defesa.

“Como estado-membro ativo e coresponsável pela segurança internacional no seio da NATO, que é uma das prioridades na nossa política de Defesa, Portugal tem condições de responder aos desafios”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco durante uma conferência de imprensa em que tinha a seu lado o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

A contribuição do Exército para a componente terrestre da NRF será assegurada pelo 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado de Rodas (com 607 militares do e 113 viaturas, 58 das quais são Pandur II), sediado no Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, comandando pelo tenente-coronel Carlos Macieira, e por um Destacamento de Apoio com base no Regimento de Infantaria n.º 19, em Chaves.

Será esta a principal novidade em relação a 2015, ano em que o Exército esteve na Lituânia em março, no âmbito de exercícios da NATO, com uma companhia de reconhecimento constituída por 140 militares e 41 viaturas do Regimento de Cavalaria n.º 6, em Braga.

No caso da Marinha, desconhece-se, para já, que fragata poderá ser destacada em 2016. Durante todo o ano de 2015 (e assim há de continuar até dezembro), o contra-almirante Silvestre Correia lidera, a partir da “D. Francisco de Almeida”, uma das forças navais permanentes de navios escoltadores da NATO, a SNMG1.

No que diz respeito à Força Aérea, o Expresso sabe que os seis caças F-16 deverão permanecer durante todo o ano de 2016 num estado de prontidão entre os cinco e os sete dias, podendo dentro deste prazo, caso a NATO considere a sua utilização necessária, entrar em ação. Nos últimos anos os F-16 têm sido destacados além-fronteiras para diversas missões de policiamento aéreo, da Islândia ao Báltico, passando pela Roménia em 2015. A acompanhar os seis caças terá de seguir uma força de até 140 militares.

Para poderem estar ao serviço da NATO, todos estes meios têm de estar certificados pelos inspetores da Aliança Atlântica e cumprir processos de aprontamento mais ou menos longos. O 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado de Rodas, por exemplo, iniciou a 1 de janeiro de 2015 a sua preparação.

O treino necessário à obtenção desta certificação é conseguido através da participação em exercícios, nos quais os militares põem à prova capacidades que deverão possuir na eventualidade de serem chamados pela Aliança. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os meios disponibilizados por Portugal para participar no Trident Juncture, o megaexercício realizado no flanco sul da Aliança (Portugal, Espanha e Itália) em que participaram cerca de 36 mil militares de 30 países, mais de 140 aeronaves e mais de 60 navios e que esta sexta-feira chega ao fim.

Durante uma breve passagem por Portugal, o secretário-geral da NATO assistiu esta quinta-feira de manhã, na companhia do Presidente da República, a três demonstrações militares: uma operação harbour protection; uma intervenção de equipa NBQR (Nuclear, Biológico, Químico e Radiológico) e, por fim, a um desembarque anfíbio.

Concluídos estes exercícios, Cavaco Silva deixou o Ponto de Apoio Naval de Tróia sem falar com os jornalistas mas Jens Stoltenberg haveria de lhes dizer alguns minutos depois que tinha visto uma “demonstração impressionante de forças navais e de operações especiais de diferentes nacionalidades” que ao longo das últimas semanas “deram provas da sua capacidade para trabalharem em conjunto”.

“A NATO está a adaptar-se a uma nova realidade e Aliados como Portugal, Espanha e Itália estão na linha da frente”, disse ainda Stoltenberg.