Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos Coelho disponível para “assumir responsabilidades na oposição”

  • 333

MIGUEL A. LOPES/ LUSA

“Estarei aonde for preciso”, diz o primeiro-ministro, que também afirmou que o Programa do Governo não inclui medidas do PS. Antes se “baseia naquilo que foi o programa eleitoral” da coligação

O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, declarou esta sexta-feira estar disponível para assumir responsabilidades tanto no Governo como na oposição, afirmando que estará "aonde for preciso".

Passos Coelho assumiu esta posição em resposta aos jornalistas, na Assembleia da República, no final de uma reunião com os deputados das bancadas do PSD e do CDS-PP.

"Estarei aonde for preciso: no Governo, que é o lugar natural que se espera de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no Governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades", declarou Passos Coelho, tendo ao seu lado o presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

Antes, o chefe do executivo PSD/CDS-PP disse não querer "antecipar nenhum resultado, nem para o debate do Programa do Governo, nem para a votação das moções de rejeição" anunciadas pelos partidos da oposição.

"Isso será uma conclusão que depois tiraremos no final da votação. Eu não vou antecipar isso", reforçou o primeiro-ministro.

Questionado se ainda acredita que o Programa do Governo pode ser viabilizado, Passos Coelho retorquiu: "Isto não é uma questão de querer, nem uma questão de fé. Nós fazemos aquilo que devemos fazer. Nós ganhámos as eleições, fomos empossados, muito naturalmente, pelo senhor Presidente da República em resultado dessa vitória eleitoral. Apresentamos o nosso programa ao parlamento, e não trocámos de programa a seguir às eleições".

"Compete agora ao parlamento fazer, entre todos os agentes políticos, um exercício de humildade e de responsabilidade. De humildade, porque ninguém tem condições para impor, só por si, a sua vontade. De responsabilidade, porque se cada um ficar só a olhar para aquilo que tem, quem perde é Portugal", considerou.

Passos Coelho reiterou que espera "que todos os partidos possam exercer o seu papel nesse debate e na votação das moções de rejeição do programa [do Governo] com humildade e com responsabilidade".

Interrogado depois sobre a sua disponibilidade para ficar a liderar a oposição, o presidente do PSD respondeu: "O que posso dizer é que eu não tenho opiniões, não tenho valores que andem ao sabor das circunstâncias. O país sabe e soube ao longo destes anos com o que é que podia contar comigo. Não sou de abandonar o meu país. Não sou de desertar nas minhas funções. Não deixo, portanto, com humildade e com responsabilidade, de exercer aquilo que é a expectativa legítima que os portugueses têm em mim".

"O que posso dizer é que estarei aonde for preciso: no Governo, que é o lugar natural que se espera de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no Governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades ", concluiu.

Programa do Governo não tem medidas do PS

Segundo Passos Coelho, "o programa que o Governo apresentará no parlamento não irá defraudar", porque "baseia o essencial do seu conteúdo naquilo que foi o programa eleitoral que, com a coligação [PSD/CDS], foi sufragado pelos portugueses" nas eleições legislativas.

"Nós não incorporamos medidas no nosso programa que são do PS, porque só o PS, como eu já tenho dito, é que sabe qual é a hierarquia, a importância, o valor que atribui a cada uma das suas medidas ou propostas", adiantou.

Contudo, ressalvou que esse documento "é muito claro dando completa abertura a diálogo, a espírito de compromisso, à negociação que um Governo de maioria relativa não pode deixar de evidenciar" em relação às restantes forças políticas, "em particular com o PS", com quem PSD e CDS-PP partilham "as opções europeias".

"E esperamos que da parte do PS haja simetria nesta disponibilidade", observou.

"As medidas aprovadas ontem [quinta-feira] são projetos de diploma, remetidos para o parlamento para que o parlamento possa discutir e votar, e é aqui no parlamento que se faz essa negociação. A única coisa que julgamos que devemos ser totalmente verdadeiros e transparentes é: nós não fazemos leilões", declarou também.

O Governo aprovou na quinta-feira em Conselho de Ministros um pacote de medidas para entrar em vigor a 1 de janeiro, incluindo os cortes salariais da função pública revertidos em mais 20% e a manutenção da sobretaxa de solidariedade, mas reduzida a 2,625%.

"O Governo mantém a convicção de que há todas as condições para chegar ao fim do ano com o défice inferior a 3%. Não podemos dia 1 de janeiro começar a cavar debaixo dos nossos pés para, de repente, termos o descontrolo orçamental", afirmou Passos Coelho.