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Luís Marques Guedes. “Acordo à esquerda parece um albergue espanhol”

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Luís Marques Guedes coordenou a elaboração do programa de Governo, que vai ser entregue esta sexta-feira na Assembleia da República

ANTÒNIO COTRIM

Um dia depois do PS ter fechado o acordo com o BE e aproximado do PCP, o Governo entrega esta sexta-feira o seu programa na Assembleia da República e volta a mostrar, pela voz do ministro da Presidência, disponibilidade para dialogar com os socialistas. O tempo está a acabar

Estabilidade, governabilidade, responsabilidade: estas são as palavras de ordem para a coligação de direita e o ministro da Presidência e do Desenvolvimento Regional, Luís Marques Guedes, não foge ao discurso habitual.

Em entrevista à edição desta sexta-feira do jornal “Público”, Marques Guedes lança farpas ao acordo à esquerda - que “parece mais um albergue espanhol do que um projeto de sociedade em conjunto” - e reafirma a disponibilidade do Governo para ser “parceiro” do PS nesta legislatura.

Luís Marques Guedes, que coordenou a elaboração do programa de Governo a entregar esta sexta-feira na Assembleia da República, insiste que o documento tem “uma grande componente de abertura ao compromisso e abertura a algumas das propostas que são conhecidas do programa apresentado pelo PS”, uma vez que o partido de António Costa é “naturalmente o parceiro com o qual os compromissos devem ser procurados por este Governo ao longo da legislatura”.

Lamentando que o PS tenha “encetado uma encenação de conversa com a coligação” em vez de uma negociação, Marques Guedes enuncia o que aproxima PSD, CDS e PS. Dando o exemplo do plafonamento da Segurança Social, medida que vai cair com o objetivo de procurar uma convergência com os socialistas, o ministro da Presidência sublinha que a margem de manobra reside principalmente em áreas como a Saúde, a Educação e a Segurança Social. E, claro, o compromisso com “o cumprimento das obrigações internacionais e da consolidação orçamental” volta a ser chamado à conversa para mostrar que PS ainda pode viabilizar o Executivo em vez de alinhar à esquerda.

Problema da credibilidade é Portugal poder parecer uma “democracia amputada”

Sobre o acordo à esquerda, as críticas são muitas. Marques Guedes faz questão de lembrar que a coligação não é “daqueles que nos apresentamos aos eleitores com um determinado programa e, depois de o voto ser depositado nas urnas, fazemos uma viragem de 180 graus e propomo-nos governar com modelos e propostas totalmente diferentes”. Confrontado com o facto de um acordo pós-eleitoral da esquerda ser constitucional, o Ministro responde que o que o assusta é “reduzir-se a política a um problema de aritmética”.

Sublinhando que o “principal problema da imagem externa e da crebilidade” é se houver a percepção de que “em Portugal somos uma democracia menor, uma democracia amputada, em que quem ganha as eleições não governa”, Marques Guedes reitera acreditar que, se o PSD estivesse na posição do PS, viabilizaria o Governo.

No fim da entrevista ainda há tempo para dirigir uma última farpa, assumida, a Costa: “Aquilo que o país tem pela frente é demasiado importante para estarmos apenas a olhar para o nosso umbigo e preocupados apenas com a sobrevivência do partido A ou B ou do líder A ou B”.