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Assis.“Não vou alimentar uma atitude de guerrilha em relação a quem dirige o PS”

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Rui Duarte Silva

Francisco Assis garante à entrada para o encontro com militantes que o que está em causa é apenas uma divergência política

Depois da entrevista de António Costa à SIC, que alega não ter visto, e antes de entrar para a sala onde tinha encontro marcado com os militantes e alguns dirigentes e deputados do PS que com ele partilham o desacordo em relação ao entendimento do partido com as forças partidárias à sua esquerda, Francisco Assis assegurou não estar disponível para "alimentar qualquer guerrilha em relação a quem dirige no presente o PS".

O ponto que o eurodeputado quis marcar fica bem resumido numa sua outra afirmação, quando sublinha ficar ali claramente assumida "uma linha que é distinta da linha que prevalece no PS".

O mentor de um caminho alternativo defende que " cada um tem de assumir as suas responsabilidades e respeitar os princípios fundamentais de uma organização como o PS".

Recebido com palmas ao entrar no salão onde decorre neste momento um encontro que está longe de reunir as 400 pessoas previstas, Assis dissera já antes ser para ele claro que António Costa "está genuinamente convencido que esta é a melhor solução", tal como o eurodeputado sustenta que será a sua a melhor opção. Contudo, Assis diz ter uma visão diferente.

Considera que "um entendimento destes não é a melhor solução para o país". Logo após as eleições de 4 de outubro sustentou que o PS devia ASSUMIR-se claramente como um partido de oposição, "liderando essa oposição a partir da Assembleia da República, dialogando à sua esquerda e à sua direita, não estabelecendo qualquer compromisso de legislatura com ninguém, avaliando caso a caso as propostas e ocupando assim um lugar absolutamente céntral da vida política portuguesa, não ficando refém, como vai ficar, do PC e do Bloco de Esquerda".

Para Assis, um acordo com aqueles dois partidos não é defensável por terem uma visão da sociedade, "da e onomia, do projeto europeu que estão muito distantes das posições que historicamente sempre caracterizaram o PS". Desse ponto de vista, prosseguiu, "qualquer entendimento com esses partidos, mesmo que momentâneamente possa parecer vantajoso, terá pouca solidez".

Quanto ao futuro e ao que estará disposto a fazer, Assis sublinha que o PS "é um partido democrático, que tem regras e essas regras têm que ser respeitadas". A reunião de hoje, frisa, decorre no respeito por essas regras. Do debate em curso sairá a "ideia de que a solução não seria esta", mas depois de os órgãos nacionais do partido decidirem, essas decisões terão de ser respeitadas.

Os que acreditam na solução que acredita "será consagrada" , a de um entendimento à esqueda, vão ter participação ativa no processo, e "os outros terão o dever de não instabilizar essa solução ".

Em desacordo com a afirmação de António Costa na SIC de que Assis não devia colocar em causa um acordo que desconhece, o eurodeputado insiste na ideia de que a divergência passa pelo facto de se tratar de um entendimento com partidos que têm em relação ao PS diferenças por todos conhecidas. Assim, o acordo será "sempre periclitante e terá um efeito negativo na capacidade de ação do Governo".

A reunião dos descontentes com o rumo que está a ser seguido pelo PS continua e, no restaurante, o leitão já está esgotado.