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PS e PCP mais perto do entendimento

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José Caria

O encontro de quarta-feira a nível político entre socialistas e comunistas correu bem, assume o PS. Quanto ao PCP, “não confirma nem desmente”, como é costume

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O encontro desta quarta-feira foi quase clandestino, porque ninguém, mesmo nos próprios partidos, sabia dele. Mas o “Jornal de Negócios” pôs a boca no trombone no próprio dia e todos ficaram a par. À noite, as imagens de televisão desfizeram a dúvida: lá estava António Costa à porta da Soeiro Pereira Gomes, seguido, minutos depois, do presidente do partido, Carlos César, de Ana Catarina Mendes e de Pedro Nuno Santos. De Mário Centeno, o homem das contas, não houve rasto. A reunião foi mesmo a nível político.

Com um acordo quase firmado com o Bloco e os Verdes, o busílis continua a ser a posição do PCP. As negociações continuam a decorrer, aparentemente no bom sentido, mas a opacidade é de regra. Se socialistas e bloquistas se têm mantido muito reservados na informação, os comunistas cumprem a ordem e não abrem a boca. Oficialmente, nem dizem mesmo quem participou na reunião com os socialistas. Blackout total.

De ambos os lados, contudo, o tom é positivo. Fontes socialistas assumem-se satisfeitas com o encontro, cujo objetivo (entre outros) era conseguir um acordo único entre todos, e por escrito.

Até agora, tem estado em cima da mesa também a possibilidade de haver acordos em separado do PS com o Bloco e o PCP (e os Verdes, que são um grupo parlamentar autónomo), mas a ideia é conseguir um único assinado por todos.

Esta quarta-feira ter-se-á dado mais um passo nesse sentido, que aponta para uma maior corresponsabilização de todas as esquerdas. Costa levou na pasta os argumentos para convencer Jerónimo, e o se que sabe é que a conversa foi proveitosa.

Os comunistas terão ficado desagradados com o protagonismo que a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, tem estado a assumir, apresentando alguns aspetos do acordo como “conquistas” do BE. Se a ideia já não tinha caído bem entre os socialistas, nos comunistas, então, não houve dúvidas. Não terá sido por acaso que, esta quarta-feira também, na entrevista que deu à SIC, Catarina Martins foi muito mais contida e com a preocupação de mostrar um bom entendimento com o PCP.

Fontes comunistas ouvidas pelo Expresso dão contudo a entender que o acordo “está a correr bem” e que “não está tremido”. Há reservas quanto a algumas questões, que se vão limando. E se há sectores dentro do partido que manifestam atitudes mais ortodoxas, rejeitando qualquer compromisso com o PS devido às “posições neoliberais do PS”, como escreveu Miguel Urbano Rodrigues no blogue Odiario.info, eles não são maioritários. Mas existem, mesmo em gerações mais novas, o que leva a que Jerónimo, por exemplo, também tenha que falar para elas nas suas intervenções públicas.

Se os comunistas deram um inesperado passo de gigante, abrindo-se à colaboração com o PS, foi porque perceberam que esta era uma ocasião única para deitar abaixo “o Governo da direita”. Não a deixarão perder, isso parece certo.

O que resta saber é qual é o nível de compromisso em que aceitam empenhar-se. Ou, dizendo de outra maneira, qual o nível de autonomia de que aceitam abdicar em concreto - e em troca de quê - para apoiar, em conjunto com o BE, um Governo que poderá ser apenas do PS. E sem o qual este não chega lá.