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NATO. Cavaco assiste ao maior exercício militar da década

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ANDRÉ KOSTERS / Lusa

Presidente da República estará esta manhã em Tróia para assistir a diversas demonstrações no âmbito do Trident Juncture, o maior exercício militar realizado pela NATO desde 2002

Carlos Abreu

Jornalista

O Presidente da República assiste esta quinta-feira em Tróia, na companhia do secretário-geral da NATO e do ministro português da Defesa, ao exercício Trident Juncture 2015, o maior realizado pela Aliança Atlântica desde 2002, no qual participam mais de 36 mil militares, de 30 países, apoiados por mais de 140 aviões e 60 navios.

De acordo com o programa divulgado no site da Presidência da República, Cavaco Silva irá escutar pela manhã as intervenções do secretário-geral Jens Stoltenberg, do chairman do Comité Militar da NATO, o general Petr Pavel, e do comandante do Allied Maritime Command, o vice-almirante Clive Johnstone.

Em seguida, o chefe de Estado, que é por inerência o comandante supremo das Forças Armadas, assistirá a três demonstrações militares: uma operação harbour protection; uma intervenção de equipa NBQR (Nuclear, Biológico, Químico e Radiológico) e, por fim, a um desembarque anfíbio.

Cavaco Silva não falará com as dezenas de jornalistas, nacionais e estrangeiros, a acompanhar o evento, ao contrário do que estava previsto no programa entregue à imprensa pela comunicação da NATO. O Presidente da República deixará o local pelas 11h30.

A fase visível do exercício Trident Jucture, isto é, aquela em que há tropas no terreno, decorre desde 19 de outubro no flanco sul da Aliança (Portugal, Espanha e Itália), terminando esta sexta-feira, dia 6. Foi antecedida por uma outra que permitiu certificar a estrutura de comando da Força de Resposta da NATO (NRF) para 2016 e o staff do quartel-general do Comando Conjunto Aliado em Brunssum, na Holanda, que durante o próximo ano ficará responsável pela NRF.

Criada em 2002, a NRF pretende ser uma força em elevado estado de prontidão, isto é, que a Aliança poderá destacar para uma crise em qualquer parte do mundo em poucas semanas. Integram a NRF quatro componentes: terrestre, aérea, naval e de operações especiais.

Em 2014, na Cimeira de Gales, os aliados decidiram criar no âmbito da NRF uma força "ponta de lança" a que chamaram Força Conjunta em Elevado Estado de Prontidão (VJTF) com cerca de 5000 militares, podendo alguns deles serem enviados para um conflito em apenas dois ou três dias. Em 2016, ano em que esta força deverá estar totalmente operacional, será liderada pela Espanha. Segundo a NATO, esta força poderá ser enviada aos primeiros sinais de ameça, mesmo antes da crise começar, como forma de evitar uma possível escalada.

A NATO tem vindo ao longo dos últimos anos a aumentar o número de efetivos da NRF e em junho último os ministros da Defesa, por via da revisão da componente aérea, naval e de operações especiais, decidiu ampliar o número máximo de efetivos para 40 mil militares.

Portugal, país fundador da Aliança, tem participado regularmente na NRF assumindo este ano o comando de uma das quatro forças permanentes que constituem a componente naval - duas de navios escoltadores e duas de dragaminas. Até dezembro, estará à frente da Standing NATO Maritime Group 1 o contra-almirante Silvestre Correia que segue embarcado com o seu staff na fragata "D. Francisco de Almeida".

Em 2016, a contribuição portuguesa para a componente terrestre da NRF será assegurada pelo 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado de Rodas, sediado no Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, e por um Destacamento de Apoio com base no Regimento de Infantaria n.º 19, em Chaves, que garanta a capacidade de sustentação logística, fora do território nacional, informa o Exército. Quer o Batalhão de Infantaria Mecanizado de Rodas, quer o Destacamento de Apoio participam no Trident Juncture para obter as certificações exigidas pela NATO para poder integrar a NRF.