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“Isto não é campanha eleitoral”, diz o PSD sobre os 3% de défice previstos por Bruxelas

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Alberto Frias

“Tal como é dito pela Comissão Europeia, só mesmo a incerteza política que se possa gerar em Portugal poderá impedir esta trajetória”, avisou o presidente do Grupo Parlamentar do PSD, esta manhã reeleito com 87 votos favoráveis em 89 possíveis

O PSD considera que a Comissão Europeia "finalmente" reconheceu a capacidade de Portugal cumprir as principais metas orçamentais, mas adverte que os riscos de incerteza política referidos por Bruxelas podem comprometer a recuperação económica e financeira.

Estas posições foram assumidas perante os jornalistas pelo líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, depois de Bruxelas ter melhorado a sua previsão para o défice orçamental de Portugal em 2015, esperando que fique nos 3%.

"É com grande satisfação que a Comissão Europeia, finalmente, reconhece que Portugal tem todas as condições para chegar ao final deste ano cumprindo o desígnio nacional de ter um défice inferior a 3% e, com isso, poder sair do procedimento por défice excessivo, o que, desde o 25 de Abril de 1974, será a primeira vez que se regista um resultado dessa envergadura", declarou o presidente do Grupo Parlamentar do PSD.

Perante os mais recentes indicadores sobre a evolução da economia portuguesa, Luís Montenegro defende que o país "se encontra mesmo no bom caminho". "Isto não é campanha eleitoral. A campanha eleitoral já acabou. Portugal está mesmo num caminho de recuperação e de equilíbrio, mas um caminho que tem de continuar a ser trilhado nos próximos anos. Tal como é dito pela Comissão Europeia, só mesmo a incerteza política que se possa gerar em Portugal poderá impedir esta trajetória", avisou o presidente do grupo parlamentar do PSD, que esta manhã foi reeleito no cargo com 87 votos favoráveis em 89 possíveis (97,75%).

Neste contexto, e tendo como horizonte a discussão do programa do Governo agendada para segunda e terça-feira, na Assembleia da República, Luís Montenegro deixa um apelo ao sentido de responsabilidade dos agentes políticos, sobretudo ao PS.

"Vamos ser nós a estragar tudo, a deitar tudo a perder e a desperdiçar tanto esforço e sacrifício que as pessoas fizeram ao longo dos últimos anos?", questionou, antes de se dirigir especificamente ao PS.

"O PS é um partido que partilha connosco um caminho de afirmação na Europa, com respeito pelos compromissos e tratados europeus. O PS pode muito bem olhar para estas previsões da Comissão Europeia e interrogar-se se o que tem andado a fazer nos últimos dias vai ou não refletir-se, positivamente ou negativamente, na vida das pessoas", referiu, numa alusão crítica às conversações entre socialistas, Bloco de Esquerda e PCP para a formação de um Governo alternativo ao da coligação PSD/CDS.

De acordo com Luís Montenegro, o PS tem dado sinais públicos "de que prefere negociar com o PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes - tendo em vista uma solução de apoio parlamentar a um hipotético Governo -, do que respeitar os resultados eleitorais e colocar-se ao serviço de Portugal, afirmando compromissos com a força política vencedora, a coligação Portugal à Frente (PàF)".

"O sentido de responsabilidade dos partidos e dos parlamentares terá de ser concretizado na ação política atenta a realidade. É inequívoco que as pessoas não quiseram o PS a liderar um Governo e António Costa como primeiro-ministro. Além disso, qualquer solução governativa que coloque em causa os objetivos orçamentais, o cumprimento dos compromissos europeus, é evidente que traria uma instabilidade económica e financeira, deitando por terra todo o esforço já feito", acrescentou o presidente do grupo parlamentar do PSD.