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Ferreira Leite. Medidas aprovadas não podem ser usadas como “jogo político”

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José Carlos Carvalho

A antiga líder do PSD considera que o país está a viver uma “fase tremenda”, marcada por “jogos políticos.” E admite que será difícil haver um recuo quanto a um acordo à esquerda.“ A responsabilidade de António Costa perante o partido e o país é incomensurável”, diz Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite lamenta que as medidas aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros estejam a ser usadas como “arma de arremesso político”. No seu habitual espaço de comentário na TVI24, a antiga ministra das Finanças afirmou esta quinta-feira que o país está numa “fase tremenda” parado por “meia dúzia de jogos políticos.”

“Não percebo para que servem estas medidas. O único aspeto que tenho pena é que se tenham utilizado estas questões por guerras políticas. É que há pessoas que recebem os seus ordenados e não sabem o que significa mais 10 euros no final do mês, mas há uma parte significativa da população que se importa”, disse Ferreira Leite.

Na visão da antiga líder do PSD, os cidadãos têm o direito de saber com o que poderão contar a partir do dia 1 de janeiro para poderem governar as suas vidas. “Não se pode governar, nem legislar sem pensar nesses aspetos. O aumento dos vencimentos, os impostos e outras coisas que podem ter efeitos não deveriam ser utilizadas como arma de arremesso nem armas políticas, que foi o que hoje se passou. As expectativas das pessoas não deviam ser utilizadas neste jogo político”, sustentou.

A antiga ministra das Finanças referia-se a medidas como a reversão em 20% dos cortes nos salários da Função Pública, aa descida da sobretaxa para 2,6% e a redução na contribuição extraordinária de solidariedade.

Confrontada sobre a possibilidade de um acordo à esquerda, Ferreira Leite reconheceu que será difícil haver um recuo, embora não se saiba que as informações que surgem a público correspondem a factos ou a boatos.

“Estamos já numa fase de tal forma avançada que acho extremamente difícil que seja possível recuar. Mas também considero que a responsabilidade que António Costa vai assumir, não só perante o partido, mas isso é problema dele, mas perante o país, é de uma grandeza incomensurável”, defende.

Ferreira Leite admite porém que o processo de negociação estará a ser difícil, sobretudo pelo PCP que é um "partido com história" e que tem um "passado de princípios a defender."

Questionado sobre se acha que o acordo deverá ser escrito, a economista disse apenas que considera que terá que tratar-se de um compromisso "concreto" para transmitir a ideia ao Chefe de Estado e ao país de que garante uma solução governativa estável. “E não algo que serve apenas para deitar abaixo um governo e depois no dia seguinte são eles que vão abaixo porque se zangaram todos uns com os outros”, concluiu.

No que diz respeito ao facto de Passos Coelho já ter assumido que não queria liderar um Governo de gestão, Ferreira Leite é taxativa: “Não querer ficar em gestão é uma figura que não existe. Nenhuma função pública pode ser abandonada sem que a pessoa seja substituída, nem um diretor-geral”, rematou.