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Santana Lopes: “Já houve tantos foguetes que era estranho que não houvesse festa”

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FOTO Luís Barra

Santana Lopes e António Vitorino acreditam que ainda é prematuro garantir um acordo à esquerda. O ex-líder do PSD sublinha, contudo, que seria “estranho” depois de tudo não se concluir essa aliança

Está garantido um acordo à esquerda? “Isto é tudo uma novidade. Mas já houve tantos foguetes atirados antes do próprio acordo, antes da própria festa, que era estranho que não houvesse festa”, afirmou esta noite Santana Lopes no habitual espaço de comentário na SIC Notícias, que partilha com António Vitorino.

Segundo o ex-líder dos sociais-democratas, é natural que nas negociações entre o PS, o BE e o PCP existam ainda questões por resolver, como evidenciaram as declarações desta tarde de Carlos César. Admite que as palavras do presidente dos socialistas possam ter deixado algumas dúvidas a este respeito, embora possam ter tido também um objetivo tático, com vista a colocar pressão.

No entanto, Santana sublinha que como os líderes de todos os partidos envolvidos têm referido que o processo está bem encaminhado, seria “estranho” não se alcançar um acordo.

Também António Vitorino levantou dúvidas quanto à existência de uma aliança entre o PS, o PCP e o BE, afirmando que nada está garantido. “Começo a dizer que quem não se repete, contradiz-se. E eu sempre disse que nada está acordado até estar acordado e nem tudo está acordado”, declarou o antigo dirigente socialista.

Na visão de António Vitorino, o centro do problema para o PS não está na moção de rejeição, mas na necessidade de o acordo corresponder ao compromisso assumido por António Costa no dia das eleições - de oferecer uma solução governativa estável - e de não implicar certas cedências em relação ao seu programa eleitoral.

Quanto à corrente de Francisco Assis, o antigo dirigente socialista considera que representa um terço dos militantes do PS que não defendem nem uma coligação com a esquerda, nem com a direita, mas que insistem que o PS tem uma identidade a preservar.

“De todo o modo, esse terço é que será decisivo. Se houver acordo é preciso que permita às pessoas que se revejam nele, se não o secretário-geral terá um problema”, realçou.

Antecipando que a próxima segunda e terça-feira serão dois dias “frenéticos”, Vitorino destacou que o facto de o eventual acordo à esquerda ser anunciado no dia 9 - no mesmo dia em que se debate o programa da coligação - tem em si um “significado político”.

Relativamente à posição do Governo que insiste que só enviará o esboço da proposta de Orçamento do Estado para 2016, quando estiver em plenitude de funções, Santana Lopes diz entender a postura do Executivo.

“Enviar um draft é respeitar Bruxelas, mas desrespeitar Lisboa”

“Com toda a franqueza eu percebo a posição do Governo, penso que qualquer um faria o mesmo. Um draft verdadeiro do que será o orçamento do próximo ano é um orçamento que será difícil para qualquer que seja o Governo. Enviar um draft [agora] é respeitar Bruxelas, mas desrespeitar Lisboa”, sustentou.

Santana disse ainda que é um “exagero” a insistência de Bruxelas, defendendo que deve ser encontrada uma solução porque a situação poderá repetir-se no futuro.

Por sua vez, António Vitorino frisa que caso um Governo de esquerda assuma funções, a entrega das linhas gerais do Orçamento terá que ser um processo célere. “O primeiro momento interessante de um possível relacionamento de um partido de esquerda com Bruxelas é precisamente esse documento”, observou.