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“Ainda há tempo”. Cordão humano apela a consenso entre os partidos

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TIAGO MIRANDA

Organização estima que o cordão humano tenha reunido cerca de mil pessoas esta noite entre a Assembleia da República e as sedes dos partidos

Foi sob o mote “Unir o que está dividido” que o Movimento Compromisso Democrático promoveu esta noite um cordão humano entre as sedes do PS, PSD, CDS e a Assembleia da República.

Por volta das 18h30 os representantes do movimento saíram da Assembleia em direção à sede do PS, no Rato. “Ainda há tempo”, podia ler-se numa faixa ainda pintada de fresco.

A mensagem é clara: apelar a um entendimento alargado entre a coligação Portugal à Frente e o Partido Socialista que garanta uma solução governativa “moderada”.

Carlos Azevedo, 68 anos, já foi filiado no PSD há muitos anos e está a participar na iniciativa, porque considera que a “coligação e o PS têm muito em comum que é preciso aproveitar”. Questionado sobre um possível acordo diz que é “desejável”, embora com esta direção do PS “não seja possível”.

Explica ainda que não quer um Governo de esquerda porque “daqui a seis meses o Governo já não existirá e estaremos a caminhar de novo para um 1975”.

Sobre o BE diz que Catarina Martins é “uma falhada” e “parece uma ditadora a falar”, sendo que a “única coisa que quer é poder”.

A mulher Isabel Azevedo, de 67 anos, conta que foi sempre socialista e, que por essa razão, teve sempre muitas discussões políticas com o marido.

Explica que fez questão de participar no cordão humano pois não concorda com o que se está a passar no PS. “Este acordo à esquerda tinha que ser discutido e falado antes. Estamos à beira de um abismo, porque o que o Sr. António Costa quer é o poder”, afirma.

Tiago Miranda

João Monteiro, um dos fundadores do Movimento Compromisso Democrático, considera que “há ainda espaço para um compromisso entre os partidos que foram mais votados, nomeadamente entre a Pàf e o PS” e por isso pede que voltem ao diálogo de forma a “baixarem as defesas e clivagens que têm”.

Outro dos subscritores do manifesto, Tomás Albergaria, manifestou-se satisfeito com a adesão das pessoas à iniciativa. “Estamos contentes por terem vindo os suficientes para fazer ouvir a nossa voz. É um motivo de orgulho”, declarou.

Disse ainda esperar que seja o princípio para uma abertura para que os partidos mais votados possam sentar-se à mesma mesa e “dar um salto em relação a questões pessoais e partidárias”, com vista a “políticas de estabilidade a longo prazo”. “Não temos qualquer aspiração política e se infelizmente o consenso nao for atingido e o país passar a ser governado pela coligação de esquerda temos que reconhecer essa legitmidade política”, acrescentou.

A organização estima que o cordão humano tenha reunido cerca de mil pessoas esta noite em Lisboa. Entre a Assembleia da República e a sede do PS, que perfaz cerca de 900 metros, o percurso foi concluído. De resto foi impossível unir os outros cordões humanos, embora as sedes dos partidos tivessem pessoas que começaram a andar rumo à AR.

Segundo a organização, várias personalidades públicas manifestaram o seu apoio à iniciativa, ainda que preferissem não dar a cara oficialmente.