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Vera Jardim admite apoiar Assis. “O que existe em matéria de negociações, para mim, é zero”

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Campiso rocha

Os tempos são conturbados para o PS. Numa altura em que Francisco Assis começa a reunir apoios para formar uma “corrente alternativa” - contrária a um Governo com Bloco de Esquerda e PCP -, Vera Jardim admite estar “preocupado” com os termos do acordo à esquerda

O ex-dirigente socialista Vera Jardim admite apoiar Francisco Assis numa corrente interna socialista se as condições do acordo à esquerda não lhe agradarem, isto é, “se as contas não baterem certo”. O histórico socialista, que participava esta segunda-feira no programa da Rádio Renascença “Falar Claro”, deixa claro que a sua posição quanto às divisões no PS é de “preocupação”.

Quando o assunto é o acordo à esquerda, Vera Jardim espera uma solução que satisfaça os “mínimos”, mas continua na expectativa: “O que existe em matéria de negociações, para mim, é nada, zero”, afirma. E critica uma das partes do acordo em particular: “Obviamente que não me agrada que uma dirigente de um partido em negociações com o PS venha anunciar medidas, ainda por cima chamando a si os louros das ditas medidas. Não é um bom começo”, acusa, referindo-se à líder bloquista Catarina Martins.

Vera Jardim deixa um requisito principal que tem de fazer parte do acordo com PCP e Bloco de Esquerda: “As contas têm de bater certas”. Questionado sobre os termos deste acordo, o socialista reafirma que “a base seria a do programa do PS”, para além de ser indispensável “cumprir os compromissos europeus”, ainda que estes sejam flexibilizados.

Posições de Assis são “muito úteis”

Neste sentido, e apesar de considerar que as posições de Francisco Assis são “mesmo muito úteis” para o debate interno do PS, Vera Jardim deixa uma crítica ao timing do eurodeputado, que organiza o encontro com os críticos de Costa em altura de apresentação das moções de rejeição ao Governo de Passos: “O timing poderá não ter sido o melhor. Francisco Assis é que sabe gerir os seus próprios tempos.” O socialista explica que seria preferível “evitar confusões e acusações de divisionismo”. E conclui: “Eu tenho, com inteira liberdade, mostrado as minhas posições na Comissão Política. E são posições de alguma preocupação”.

Na mesma intervenção, Vera Jardim aproveita ainda para deixar claro que “o Governo deve ser um Governo do PS, fundamentalmente”. Segundo ele, a solução ideal seria um Governo monopartidário, ainda que admita a possibilidade de atribuir aos restantes partidos de esquerda “uma pasta ou outra”.

Sobre as divisões dentro do partido, Vera Jardim deixa um aviso: gostaria que houvesse um referendo, mas o tempo está a esgotar-se. “Não há condições externas praticáveis para fazer uma consulta referendária em cinco ou seis dias, ou mesmo em quinze”, declara.

  • Assis “frontal e absolutamente contra” qualquer Governo de esquerda

    Eurodeputado socialista quer ver o PS como “principal partido da oposição”, e não a renunciar “à sua dimensão de partido transformador e reformista”. Para Francisco Assis, há argumentos favoráveis a um acordo do PS com PCP e Bloco que são uma “despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder”