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Eurico Brilhante Dias. “António Costa terá sempre uma alternativa”

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Pedro Nunes/Lusa

O socialista acredita que a iniciativa de Francisco Assis é importante para o país e para o partido. E sublinha que António Costa “terá sempre uma alternativa” se achar que as condições impostas pelo BE ou o PCP “não são aceitáveis”

Eurico Brilhante Dias admite ver com desconfiança a aliança entre o PS, o BE e o PCP, mas reconhece que António Costa tem legitimidade política para negociar um acordo desde que seja “positivo”.

“Estou muito mais próximo do que tem dito ultimamente Francisco Assis do que o dr. António Costa. Mas isso não quer dizer que concorde com tudo o que diz o Francisco Assis. Preferia que o partido seguisse outro caminho, do que ir a Governo perdendo as eleições, isso sem dúvida”, afirmou Eurico Brilhante Dias no Frente-a-Frente, na SIC Notícias.

Sobre a iniciativa do eurodeputado Francisco Assis, que deverá reunir-se no próximo sábado, na Mealhada, com militantes socialistas que se opõem a ação de Costa, Eurico Brilhante Dias - que esteve com António José Seguro nas primárias do ano passado - diz considerar que é importante para o país e para o partido.

Ainda assim, o dirigente socialista sustenta que as divergências internas nunca prejudicaram o partido. “O PS sempre teve momentos da sua história em que as divergências internas estiveram expostas, mas isso nunca fez do PS um partido com menos força. Essas paredes de vidro fizeram sempre do PS o partido dos portugueses”, sublinhou.

Relativamente à possibilidade de um acordo à esquerda, Eurico Brilhante Dias defendeu que António Costa tem legitimidade política para negociar esse compromisso desde que seja “positivo”.

“O Dr. António Costa não é obrigado a celebrar qualquer acordo. O Dr. António Costa terá sempre uma alternativa se achar que as condições não são aceitáveis [do BE e do PCP]”, observou.

Em referência a Catarina Martins, o socialista criticou ainda algumas partes do acordo que saíram na imprensa, realçando que enquanto não há acordo sobre tudo, não há acordo. Insistiu que não vale a pena precipitar um acordo à esquerda, sendo para o PS esse “não é um caminho único”.

Teresa Caeiro (CDS-PP) defendeu por sua vez que um acordo à esquerda não contém nenhuma ilegalidade jurídica, mas estará ferido de ilegitimidade política, sendo sempre um compromisso “precário” e “vulnerável.”

Disse ainda que só acredita numa aliança entre o PS/BE/PCP quando o acordo estiver assinado. “O que me parece é que isto é uma maioria negativa. Não parece que este acordo é um manual de sobrevivência do dr. António Costa?”, questionou.

A deputada democrata-cristã acusou ainda o PS de ter sido derrotado nas legislativas por se ter alinhado demasiado à esquerda, em vez de ao centro.

E reiterou que é a força política que ganha as eleições que deve ser convidada a governar, apontando o dedo aos críticos do discurso do Presidente da República.“Quem diz que estão a queimar tempo é porque não acredita verdadeiramente na democracia”, atirou.