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Assis. “Não vou apelar a que desrespeitem a disciplina de voto”

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Alberto Frias

“Um Governo do PS apoiado por um partido tão conservador como é o PCP e por um partido tão contraditório como é o Bloco de Esquerda inibe-nos de ter a capacidade de promover as reformas de que o país precisa”, defende o antigo deputado socialista, que este sábado se reúne com apoiantes na Mealhada

O eurodeputado socialista Francisco Assis vai reunir-se com militantes do PS este sábado, na Mealhada, Aveiro, mas garante que não apelará ao desrespeito da disciplina de voto quando o Parlamento votar o programa do Governo.

"Não vou apelar a que desrespeitem a disciplina de voto porque a disciplina de voto é importante", declara ao jornal "Público" desta terça-feira, justificando que, caso contrário "o país entra num quadro de ingovernabilidade". "Há princípios que têm de ser respeitados", acrescenta.

Na sequência das eleições legislativas de 4 de outubro, o PS tem estado em conversações com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista Português para um apoio parlamentar que permita a formação de um Executivo de esquerda alternativo ao da coligação PSD/CDS.

PS, BE e PCP já anunciaram que vão chumbar o programa do Governo, que será discutido e votado na Assembleia da República a 9 e 10 de novembro.

Nas declarações ao "Público", Francisco Assis reafirma a sua oposição à estratégia do secretário-geral socialista, António Costa, de formar um Governo com apoio do BE e PCP, considerando tratar-se de um "erro histórico" que o PS poderá "pagar caro".

"Um Governo do PS apoiado por um partido tão conservador como é o PCP e por um partido tão contraditório como é o Bloco de Esquerda inibe-nos de ter a capacidade de promover as reformas que o país precisa", defende.

Assis reafirma ainda que o "PS deveria assumir-se como um partido da oposição com sentido de responsabilidade e, a partir da oposição, construir uma alternativa de governação do país", referindo que "é isso que os portugueses esperam do PS neste momento".

"É fundamental que aqueles que neste momento têm uma divergência profunda [relativamente a um Governo do PS apoiado pelo BE e PCP] se encontrem e que digam claramente que nós estamos aqui para dizer que há outro caminho, que há outra via, que temos um entendimento do que deve ser o papel do PS completamente distinto daquele que neste momento parece prevalecer no interior do partido. É só isso e nada mais", acrescenta, sobre o almoço do próximo sábado.