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Poiares Maduro. Coligação à esquerda é “mero acordo para chegar ao poder”

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Foto:Goncalo Rosa da Silva

Em entrevista ao “Diário de Notícias”, o ex-ministro-adjunto do Desenvolvimento Regional diz-se preocupado com o futuro político do país e espera ainda “um assomo de responsabilidade no PS que permita viabilizar este Governo”

O ex-ministro adjunto do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, não vê “possibilidade de uma coligação entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista ser alguma coisa mais do que um mero acordo para chegar ao poder”. A afirmação consta de uma entrevista ao “Diário de Notícias”, publicada esta segunda-feira, no decorrer da qual o antigo ngovernantemanifesta também a esperança de que “haja um assomo de responsabilidade no PS que permita viabilizar este Governo”.

De regresso à vida académica no estrangeiro depois da sua passagem pelo Governo, Poiares Maduro manifesta preocupação com o futuro político em Portugal, que “é de grande incerteza” e insiste na necessidade de os agentes políticos não colocarem em causa o Governo recém-empossado sem existir uma alternativa “estável e coesa”, que não acredita poder resultar de um acordo à esquerda com o PS.

Caso o Governo caia, o ex-ministro vê “qualquer das soluções alternativas” como “geradoras de muita instabilidade” e fatais para a confiança e credibilidade internacionais conquistadas. Perdê-las agora “seria dramático para o país”, acrescenta.

Falando em relação ao PSD-CDS e “pelo menos boa parte do PS”, Poiares Maduro acredita que “há uma grande margem” para se gerarem “consensos e compromissos”, algo apenas mais difícil porque “a nossa cultura política valoriza mais o conflito”.

Quanto à sua passagem pela vida política, o ex-ministro diz que “sempre quis ter uma experiência em funções públicas”, e que o facto de ter sido convidado para integrar um Governo “nesta fase tão dificil para o país” foi determinante: “Tinha de aceitar”, afirma.

Acrescenta, porém, que, ainda que não exclua a hipótese de voltar, “era para mim muito importante que a política não se transformasse na minha carreira profissional”.