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Calvão da Silva lamenta “fúria demoníaca da Natureza”: “Deus nem sempre é amigo”

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LUÍS FORRA/LUSA

Em Albufeira, o ministro da Administração Interna disse que estaria esta segunda-feira no local mesmo se soubesse que à noite já não seria ministro, para acompanhar de perto a situação após as inundações de domingo

O ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva, lamentou esta segunda-feira a “fúria demoníaca da natureza”, afirmando que o Governo só decidirá se declara o estado de calamidade pública quando estiver feito o levantamento dos estragos causados pela chuva em Albufeira e se estiverem preenchidos os requisitos necessários.

“A fúria da natureza não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação. (...) Em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um atc of God, nós temos que traduzir de outra maneira”, disse Calvão da Silva.

O ministro explicou que é preciso que o levantamento seja feito e verificado. "Com os requisitos legais preenchidos, aplica-se a lei", declarou o governante, sublinhando não estar ainda em condições de dizer se vai ser declarado o estado de calamidade pública, uma vez que os "as leis são para cumprir e os requisitos legais têm de se verificar".

João Calvão da Silva, que falava aos jornalistas durante uma visita à baixa de Albufeira, a zona mais afetada da cidade pelo mau tempo no domingo, disse ainda que a declaração do estado de calamidade pública "não é uma lei que se faz por qualquer coisinha", salientando que, para acionar a lei, é preciso que se verifiquem determinados requisitos.

O governante esteve esta segunda-feira no Algarve para dar as condolências à família do homem que morreu em Boliqueime, após o seu carro ter sido arrastado pela água, tendo visitado a baixa de Quarteira, que praticamente já regressou à normalidade, e a baixa de Albufeira, a zona mais afetada, com muitas dezenas de estabelecimentos afetados pela intempérie de domingo.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de o Governo agora empossado já não estar em funções quando terminar o levantamento dos estragos, João Calvão da Silva disse que o que conta "é a ajuda imediata" da presença do Governo, independentemente do seu "horizonte temporal", e frisou que estaria na hoje em Albufeira mesmo se soubesse que à noite já não seria ministro.

Confrontado com o facto de muitos dos comerciantes atingidos pelos estragos não terem seguro, o governante disse que esta é uma forma de aprender, em primeiro lugar, "que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro".

O ministro da Administração Interna refutou, por outro lado, as críticas de que os alertas da Proteção Civil não teriam funcionado e elogiou o trabalho dos agentes distritais e, também, dos voluntários que estão a participar nos trabalhos de limpeza das zonas afetadas.

"Os alertas funcionaram, as pessoas tomaram as medidas preventivas, o que acontece é que as medidas preventivas normais aqui não foram suficientes", referiu, sublinhando, contudo, que quem tomou medidas de prevenção pode ter conseguido atenuar alguns danos.

O presidente da Câmara de Albufeira estimou hoje em "largos milhares de euros" os prejuízos causados pelas inundações de domingo, que abrangem redes de esgotos, águas e eletricidades, estradas e ruas, um pouco por todo o concelho, e praias também.

No centro da cidade de Albufeira, a zona mais atingida pelas fortes chuvas e onde a água atingiu cerca de 1,80 metros de altura, as equipas de limpeza e os comerciantes estão desde manhã a tentar remover lamas e objetos arrastados pela corrente.