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Marques Mendes. “Só não há Governo à esquerda se não houver acordo”

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Marques Mendes

Luís Barra

Luís Marques Mendes considera que o Governo que tomou posse “tem a sua morte anunciada” e que Cavaco Silva deixou claro que nomeia António Costa se Passos Coelho chumbar no Parlamento. Olhando já para a possibilidade de o PSD e CDS passarem para a oposição, Marques Mendes considera importante começar a dar resposta a algumas perguntas

Luís Marques Mendes não tem dúvidas de que o Governo que tomou posse na sexta-feira passada “tem a sua morte anunciada”, segundo disse este domingo durante o habitual comentário na SIC. E acrescentou: “Só não há Governo à esquerda se não houver acordo”.

Para o comentador, a última intervenção do Presidente da República não foi uma repetição, foi “um passo em frente”, pois ficou claro que “se Passos chumbar no Parlamento e os três partidos apresentarem um acordo escrito, Cavaco vai dar-lhes posse”, afirmou. “E a partir daqui já não há dúvida.”

Marques Mendes acha que é “quase impossível” que PS, BE e CDU não cheguem a acordo.

Porém, defende que “os interesses destes três partidos são muito diferentes” e que António Costa irá ter um segundo problema “se as coisas não estiverem bem definidas”. O primeiro problema com que terá sempre de lidar, acrescenta, é o facto de não ter ganho nas urnas.

Questionado sobre se faz sentido Cavaco Silva colocar algumas condições a um novo Governo, Marques Mendes diz que sim, sobretudo em relação aos “compromissos internacionais de Portugal”, que são “objetivo do Estado e não políticas do Governo”.

Fazendo referência à entrevista que Catarina Martins, porta-voz do BE, deu este domingo ao “Diário de Notícias”, anunciando um acordo com o PS, o comentador considera que o mais “preocupante” neste momento é o PCP. “Jerónimo de Sousa está infeliz nisto, está contrariado” e “não quer comprometer-se com nada”.

“Como é que o Governo vai governar se um dos lados não está disponível para aprovar algumas das medidas mais difíceis?”, questiona.

Considerando que a próxima semana é “vital” para António Costa, o comentador da SIC lembra que este “é o tempo em que eles vão ter de apresentar contas“.

“Até agora só se ouviu falar de política, falta economia e finanças”. E reforça que é fundamental os três partidos chegarem a um acordo escrito e assinado. “Sem isso Cavaco não dá posse.”

PSD/CDS na oposição e as críticas no PS

Na opinião de Marques Mendes, há uma primeira decisão a tomar ainda antes de o PSD e CDS passarem para a oposição. “Vão estar coligados politicamente?”, questiona.

O social-democrata defende que os dois partidos “devem manter a coerência de estarem ligados“, sobretudo porque isso lhes dá mais força. Têm também de decidir o que é que acontece quando chegar a fase de eleição para alguns órgãos.

Em terceiro lugar, têm de decidir o que fazem em relação às leis que vêm do Governo de António Costa. “Decidem caso a caso?”, pergunta. Para Marques Mendes, desde o dia 4 de outubro que a coligação anda “sem iniciativa, sempre a reagir e a reboque dos acontecimentos“.

“Têm de decidir estas coisas. Não devem cometer o erro de subestimar António Costa.”

Entre os socialistas, Marques Mendes destaca sobretudo as críticas feitas a Costa por Sérgio Sousa Pinto e Francisco Assis.

“Assis é um exemplo de pessoa corajosa e com pensamento. consistente e estruturado. A prazo, vai ser líder do PS, só não se sabe quando", defende, acrescentando que a corrente que ele lidera vai no sentido de fazer com que o partido “volte ao centro”.

“É para essa área do centro que Asis aponta”, diz o comentador, afastando a hipótese de que o eurodeputado socialista esteja a criar uma cisão. “O objetivo dele é preparar o futuro.”