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Miguel Albuquerque. “Eu não faço saneamentos políticos”

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OCTÁVIO PASSOS

Na estreia dos debates mensais no Parlamento madeirense, o presidente da região autónoma foi ainda mais duro com os empresários: acabaram-se “as jogadas”

Marta Caires

Jornalista

O Governo de Miguel Albuquerque não faz "saneamentos políticos" e não entra nas "jogadas de empresários que andam há anos a brincar" com a administração pública madeirense. Os deputados madeirenses discutiam o estado do turismo - o tema do debate mensal na Assembleia Legislativa -, quando o presidente do Governo Regional deixou claro que, com ele, será diferente.

Diferente não apenas na forma - foi a primeira vez, em 39 anos de autonomia, que se fez um debate mensal -, mas também na ação. Prova disso, explicou Albuquerque, numa resposta ao líder do Juntos Pelo Povo (JPP), foi manter em funções a presidente da administração da empresa Portos da Madeira.

A responsável continua no cargo apesar do desacordo político a propósito do novo cais de cruzeiros, construído no tempo de Alberto João Jardim por quase 18 milhões de euros. "Eu não faço saneamentos políticos", esclareceu o novo líder madeirense.

"A presidente da administração de Portos da Madeira vem de outro Governo, defendia a política desse Governo. Eu mantenho tudo o que já disse: o cais não devia ter sido construído ou deveria ter sido feito de outra maneira. A solução é, quando houver dinheiro, ampliar o molhe do porto".

Albuquerque foi contra a construção quando era presidente da Câmara do Funchal e até viu um dos seus vereadores ser expulso do PSD por isso. Contestado desde que foi apresentado, o cais voltou à discussão quando o principal armador de cruzeiros a operar no Funchal se recusou a atracar.

Se a responsável dos portos fica para evitar saneamentos, já o tratamento entre o Governo Regional e os empresários vai mudar. As "jogadas dos empresários que andam há anos a brincar" são para acabar e o primeiro passo terá sido dado com a exclusão da empresa que ganhou o concurso das iluminações de Natal. Entre outras falhas, não apresentou a caução que exigida.

A empreitada foi entregue à segunda concorrente e Albuquerque justificou-se com fim das manipulações e brincadeiras. "Vão acabar as brincadeiras destes empresários com o Governo". O líder madeirense garantiu que assim será e ainda prometeu decorações ao gosto dos madeirenses. As do ano passado, entregues a um arquiteto premiado, geraram um coro de críticas.

O tom enérgico do presidente levou até a um elogio da oposição. "Só espero que tenha o mesmo sangue na guelra para todos" os empresários pediu Gil Canha, antigo deputado do Partido Nova Democracia, agora independente após a extinção do partido.

Num debate cujo tom nunca resvalou, os deputados passaram todos os temas que marcam neste momento a atualidade madeirense. A questão do subsídio de mobilidade e a extinção do prazo de 60 dias de reembolso. Agora só terá de esperar dois meses pela devolução do dinheiro das passagens aéreas acima de 86 euros quem pagar com cartão de crédito.

Empresários processam Governo

A defesa dos interesses dos trabalhadores da hotelaria foi outro dos assuntos a debate, tendo Quintino Costa, o deputado do Partido Trabalhista Português, falado de "escravos que servem sapateira e lagosta" em hotéis de cinco estrelas. Miguel Albuquerque aproveitou a oportunidade para se afirmar como um "social-democrata".

Um valor que, segundo lembrou, levou o Governo a impedir a caducidade do contrato coletivo de trabalho da hotelaria contra a vontade dos empresários. Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF) colocou um processo ao Governo e Ricardo Vieira, do CDS, ainda sublinhou que as condições mais gravosas para os hoteleiros.

A resposta de Miguel Albuquerque foi clara: o mais importante são as condições de trabalho, de vida e a felicidade as seis mil famílias que dependem diretamente dos seus empregos na indústria do turismo.