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Ferreira Leite. “Em democracia basta ter mais um voto para ganhar as eleições”

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Alberto Frias

A antiga líder do PSD teceu esta noite duras críticas a António Costa, que acusou de se “aproveitar” do facto de Cavaco Silva não poder dissolver a Assembleia da República para conseguir chegar ao Governo. PS deveria ficar na oposição, que é um papel igualmente “nobre e importante”

Manuela Ferreira Leite criticou esta noite a ação da esquerda quanto à situação política atual. No habitual espaço de comentário na TVI24, a ex-líder dos sociais-democratas acusou PS, Bloco e PCP de dizerem que vão rejeitar “algo que ainda ninguém conhece”.

“A votação do [Orçamento de Estado para 2016], independentemente do que lá esteja, vai ser reprovada pelo PS Bloco e PCP. E isso é grave”, disse Ferreira Leite. “Nem aqueles que vão fazer a rejeição sabem o que lá está. O programa de Governo não é um decalque do programa eleitoral. E o programa de Governo ainda ninguém conhece”, acrescentou.

Para Ferreira Leite não há dúvidas, “o resultado de eleições não dá para interpretar. É aritmética e em democracia basta ter mais um voto para ganhar as eleições”, por isso mesmo o vencedor do sufrágio de 4 de outubro é a coligação PSD/CDS.

“Não somos só democratas quando o nosso partido ganha as eleições, temos de ser sempre”, afirmou a antiga ministra das Finanças, em referência aos socialistas. “Há quatro partidos que, não indo a eleições coligado, cada um por si não tive mais votos [do que a coligação]”.

Manuela Ferreira Leite disse também que um Governo de minoria é uma solução que permite que a oposição “impeça determinadas medidas e objetivos”, e que no caso dos últimos quatro anos teria sido “útil para o país” que não tivesse existido uma maioria absoluta.

O papel assumido pela oposição “é tão nobre e importante como o do Governo”. “É tão importante fazer oposição”, acrescentou Ferreira Leite, que António Costa deveria ficar na bancada da oposição e “não era preciso deitar o Executivo abaixo”

“É tudo legal e constitucional. Do ponto de vista político e ético não é legitimo. Aquilo que se vê neste momento é tomar proveito de várias situações para tomar o poder”, disse. Ferreira Leite admite, no entanto, que o “mais provável” é que António Costa seja chamado a chamar Governo após a rejeição do programa do atual Executivo.

“Tudo isto que está a acontecer é normal. Quem não ganha governa e os que ganham são deitados abaixo”, sublinhou com alguma ironia. E voltou a lembrar: “Deitam abaixo o que não se conhece, mas também ninguém sabe nada do tal acordo” da esquerda.

Ferreira Leite acusa também António Costa de estar a “aproveitar-se” do facto de Cavaco Silva já não poder dissolver a Assembleia da República e de o novo Presidente apenas o poder fazer seis meses após as eleições presidenciais. “Costa nunca teria tomado esta decisão se Cavaco não tivesse no final de mandato”, referiu.

“Agora que isto estava numa situação legitima e ótima, é que António Costa decide que deveria formar um acordo com BE e PCP”, concluiu Ferreira Leite, que recusou comentar a constituição do XX Governo uma vez que é “absolutamente deselegante e inútil” fazê-lo sabendo qual será provavelmente o seu desfecho.