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Política

Fernando Negrão afasta hipótese de um Governo de gestão

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Luís Barra

O novo ministro da Justiça fala sobre os cenários governativos, em entrevista à Antena 1, numa altura em que o Governo de Passos e Portas parece uma realidade cada vez mais distante. A esperança da direita, diz Negrão, reside agora na “notação em consciência” dos deputados socialistas indisciplinados

O novo ministro da Justiça, Fernando Negrão, diz que “não há disponibilidade para um Governo de gestão”. Falando em entrevista à Antena 1, esta quinta-feira, Negrão reafirma que o novo Executivo pode conseguir aprovar o seu programa, mesmo estando os partidos de esquerda a negociar uma moção de rejeição única relativa ao documento.

O deputado social-democrata, que perdeu a eleição para a presidência da Assembleia da República, afirma que o Presidente da República “fez um discurso efetivamente veemente” em que explicou as “consequências de um Governo formado pela coligação de esquerda”, quando, na semana passada, anunciou a indigitação de Pedro Passos Coelho ao país. No entanto, se Fernando Negrão admite a possibilidade de António Costa vir a ser indigitado primeiro-ministro se o programa de Passos for chumbado, também afasta a hipótese de o Executivo continuar em funções de gestão: “Tudo aponta para que o Governo não esteja disponível”, sustenta.

Na mesma entrevista, ficou patente a esperança de Negrão na “votação em consciência”, isto é, na possibilidade de que 14 deputados socialistas, aparentemente indisciplinados, “possam viabilizar” o Governo de direita. Cauteloso, o futuro ministro considera que “se o acordo à esquerda tiver uma amplitude de tal modo perigosa para o país¨, esses deputados podem repensar a decisão de fazer cair o Executivo de Passos.

Fernando Negrão vai tomar posse como ministro da Justiça esta sexta-feira, no Palácio de Belém, juntamente com o resto da equipa oficialmente convocada esta terça-feira por Passos Coelho para formar Governo.

No entanto, a tarefa de aprovar o programa de Governo parece complicada, já que os partidos de esquerda, que reúnem a maioria dos deputados parlamentares - 122 representantes -, vão juntar-se para apresentar uma moção de rejeição única ao documento.

A discussão sobre o novo programa de Passos e Portas vai acontecer nos dias 9 e 10 de novembro, na mesma altura em que PS, Bloco de Esquerda, PCP e “Os Verdes” vão apresentar os termos de um acordo que possibilite uma alternativa de Governo à esquerda.