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Saúde. Secretário polémico sobe a ministro

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Marcos Borga

Fernando Leal da Costa deu voz a algumas das medidas mais criticadas da governação da Saúde. A sua presença nos media como secretário de Estado foi mais constante do que a do próprio ex-ministro Paulo Macedo

Médico de formação, com especialidade em hematologia clínica e oncologia médica, Fernando Leal da Costa é um independente partidário 'filiado' na defesa da Saúde. Em nome do que acredita ser o bem de todos, defendeu, no Governo anterior, a imposição de alguns limites individuais. A convicção fê-lo ser a voz que mais alto falou para apregoar a necessidade de proibir de fumar no carro ou em casa quando há crianças por perto, ou de taxar os alimentos prejudiciais à saúde, como doces ou refrigerantes.

Polémico pelas afirmações, Leal da Costa é ouvido pela mais alta figura do Estado. Foi consultor para os Assuntos da Política da Saúde na Casa Civil do Presidente da República com Cavaco Silva. O ex-ministro da Saúde Luís Filipe Pereira, que introduziu a empresarialização na Saúde, contou com a sua assessoria. Leal da Costa marca ainda presença no ensino, como professor auxiliar convidado na Escola Nacional de Saúde Pública. Ensina ali como gerir organizações de Saúde.

Especializado em sangue e cancro, a Saúde Pública é, ainda assim, o que mais tem norteado o rumo do seu trabalho fora do hospital, no caso, do IPO de Lisboa. No currículo, o futuro ministro da Saúde acumula funções como membro avaliador medicamentos, ensaios clínicos e relatórios periódicos de segurança de medicamentos no Infarmed e foi subdiretor-geral da Saúde entre 2001 e 2002, tendo integrado os grupos de trabalho para a agenda de investigação e telemedicina. No ano seguinte, foi um dos coordenadores para a elaboração do Plano Nacional de Saúde.

Como médico, exerce no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, onde presidiu à Comissão de Ética e desenvolveu o programa de quimioterapia com suporte a autotransplante de medula. Os pares clínicos tiveram-no como dirigente no Colégio de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos. Foi eleito para a direção em 2003 e saiu para iniciar funções na Presidência da República.