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Sampaio da Nóvoa. “Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo”

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André Kosters/ Lusa

O candidato à Presidência da República, em entrevista à TVI, disse que após as eleições legislativas, os portugueses perceberam que é possível um Presidente “isento”. Sobre o atual momento político, Sampaio da Nóvoa defendeu que é preciso manter a “serenidade” durante este processo que decorrer “com grande naturalidade e normalidade”

Se António Sampaio da Nóvoa fosse Presidente da República muito provavelmente teria, à semelhança do que fez Cavaco silva, indigitado como primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Na noite desta terça-feira, em entrevista à TVI24, o candidato a Belém defendeu que sem existir um “acordo público” à esquerda, nomear o “líder do partido mais votado” era o mais “normal e natural”.

“Julgo que temos de ver o processo que está a decorrer com uma grande naturalidade e normalidade e sem encrespação. Desde o primeiro dia disse, que não havendo um acordo público, quem deveria ser indigitado era o líder do partido mais votado”, afirmou Sampaio da Nóvoa. “Devemos estar contentes com isso. Está a ser feito o que é suposto”, acrescentou, lembrando que, no entanto, “todos têm consciência de que não há muito tempo”.

“O que se está a discutir é uma aliança à esquerda” e caso exista uma “maioria parlamentar”, então, Sampaio da Nóvoa não tem dúvidas: deve ser dada posse a essa maioria. Outra qualquer hipótese seria “impensável” e conduziria Portugal a “uma situação caótica, irresponsável e inconstitucional”.

“É evidente que se houver uma maioria parlamentar, e não podendo convocar eleições, não há nenhuma outra solução se não dar posse a essa outra maioria. É impensável que isso não aconteça. Inconsistente seria um governo demitido”, disse o candidato às eleições presidenciais do próximo ano.

Para Sampaio da Nóvoa, o “desejável” seria que a aliança à esquerda que se entendesse e conseguisse “um acordo sólido de legislatura”. Quanto a um cenário em que o acordo seja apenas por um ano, esse já “não seria desejável”.

O candidato presidencial criticou ainda o discurso de Cavaco Silva aquando da indigitação de Passos Coelho. Sampaio da Nóvoa ficou “em choque” com o “tom encrespado” das palavras do Presidente da República. “Tenho evitado fazer críticas, mas se há coisa que me chocou no discurso foi o apontar o dedo a Portugal. Creio que temos de manter a serenidade. A maneira como o alerta foi feito causou-me algum desconforto, até porque não havia nem há nenhum alerta por parte dos mercados”.

Próxima fase: presidenciais 2016

“Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo independente”, afirmou Sampaio da Nóvoa relativamente à sua candidatura às presidenciais do próximo ano.

O professor universitário admite que a apresentação de Maria de Belém como candidata só veio “reforçar” a independência da sua candidatura. Agora, o que Sampaio da Nóvoa gostava era de “contar com o apoio de todos”.

Tendo em conta a atual situação política do país, o candidato acredita que é a prova de que “precisamos de um Presidente, que não é partidário e que seja isento”. “Se tivéssemos alguém isento não teríamos chegado onde chegámos. Precisamos de alguém que faça pontes, que coloque o interesse nacional na cabeça e não seja uma questão de partidos”, justificou.

Após as legislativas, a 4 de outubro, Sampaio da Nóvoa considera que os portugueses “perceberam a diferença entre um Presidente que vem de um lugar da cidadania e um Presidente que vem dessa lógica da fação partidária. As pessoas perceberam que é possível um Presidente diferente”.

Sem o apoio de nenhum partido, o candidato na corrida ao Palácio de Belém reafirma que a sua “candidatura tem origem de esquerda, mas não é uma candidatura à esquerda. É nacional”.