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Política

Justiça. Fernando Negrão, o juiz com duas vidas

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Marcos Borga

O novo ministro da Justiça foi apanhado no escândalo da Moderna e obrigado a demitir-se e ganhou uma nova vida com a maneira impecável como conduziu o inquérito parlamentar ao BES

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Fernando Negrão é juiz – está com licença ilimitada para se dedicar à política – e tornou-se conhecido quando era diretor da PJ. Primeiro, pelas melhores razões: em 1997, envolveu-se pessoalmente nas investigações ao massacre do Mea Culpa, uma discoteca atacada por homens armados que mataram 13 pessoas. Os culpados foram presos.

Depois, pelas piores: em 1999 demitiu-se do cargo depois de ter sido acusado de passar informações para o DN sobre as primeiras buscas à Universidade Moderna. Negrão foi acusado mas o caso caiu na instrução. O juiz voltou aos tribunais, onde esteve 20 anos, e dedicou-se depois à política, tendo sido eleito nas últimas eleições pelo círculo de Braga. Já foi ministro no Governo de Santana Lopes, tendo tomado conta da pasta da Segurança Social por pouco mais de oito meses.

Perdeu as eleições para as câmaras de Lisboa e Setúbal com resultados pouco mais que miseráveis e ganhou uma nova aura com a maneira correta mas implacável com que dirigiu os trabalhos da Comissão parlamentar à gestão do BES. Para a história fica uma repreensão pública ao ex-CEO da PT, Zeinal Bava, que apelou à falta de memória para não responder à maior parte das perguntas dos deputados.