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Economia. Morais Leitão, a sombra de Paulo Portas

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Miguel Morais Leitão, o homem que detesta a ribalta, chega a ministro da Economia. Só por ser tão amigo de Portas e por ser por pouco tempo

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Miguel Morais Leitão, jurista de 51 anos, sucede a António Pires de Lima como ministro da Economia. Em comum com o seu antecessor tem o cartão partidário - é dirigente do CDS - e uma amizade e cumplicidade de muitos anos com Paulo Portas. Mas não podiam ser mais diferentes: Morais Leitão, "o Miguel", como Portas se lhe refere, é a discrição em pessoa e sente-se realmente bem a trabalhar nos bastidores, longe do barulho e da ribalta. Se agora aceita um cargo de primeira linha, tão exposto como é a Economia, fá-lo apenas por fidelidade ao líder do CDS e por ser um encargo de poucos dias.

Chegou a circular nos bastidores do Governo que seria o próprio Portas a assegurar a tutela da Economia - uma solução natural, tendo em conta que Portas, enquanto vice-PM, já coordenava todas as áreas económicas do Executivo. Morais Leitão era a sua sombra, nomeadamente nos mini-conselhos de ministros que Portas dirigia de duas em duas semanas. "O Paulo quis premiá-lo como ministro", garante uma fonte do CDS.

A carreira política de Morais Leitão fez-se toda com Portas. E foi sempre a sombra do líder do CDS nas várias pastas que este foi dirigindo ao longo de várias experiências de Governo. Este com Portas no tempo de Durão Barroso - PP tutelava a Defesa, Morais Leitão presidia à Empresa Portuguesa de Defesa (Empordef) - a holding (entretanto extinta) através da qual se fez a privatização das OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal. A marca de Morais Leitão ficou nessa privatização.

Já no atual Governo, enquanto Portas era ministro dos Negócios Estrangeiros, Morais Leitão era seu secretário de Estado, com os Assuntos Europeus - onde, mais do que uma marca política, deixou uma marca de austeridade na gestão da máquina. Quando Portas foi promovido a vice-PM, o amigo voltou a acompanhã-lo, como seu secretário de Estado-adjunto, e nessa qualidade foi o principal apoio de Portas nos embates com a troika.

É o homem das contas, com fama de rigor e detalhe. "O Miguel sabe", é uma frase habitual de Portas. Antes de orbitar na esfera do Governo, foi administrador de várias empresas do BPI entre 1998 e 2002, administrador da companhia de seguros Allianz Portugal, entre 1996 e 2002, e da companhia de seguros A Social, entre 1994 e 1997). Trabalhou no BPI a partir de 1989, segundo se lê no seu currículo, no Portal do Governo.