Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

PCP e Bloco reagem a acusações sobre “extremistas de esquerda”

  • 333

A política portuguesa chegou à sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, pela voz de um alemão. Manfred Weber, o presidente do grupo parlamentar onde se sentam PSD e CDS, disse estar “preocupado com Portugal” e com “as responsabilidades legislativas que os extremistas da esquerda possam ter”

Susana Frexes

em Estrasburgo

Correspondente em Bruxelas

“Temos de assegurar que as forças europeias democráticas pró-europeias trabalham juntas para mostrar responsabilidade, para ultrapassar as dificuldades atuais”, apelou Manfred Weber, referindo o exemplo do Parlamento Europeu, onde o grupo dos socialistas e dos populares trabalham frequentemente em conjunto para chegar a consensos.

“Não queremos que extremistas influenciem a legislação. É o que tentamos fazer, e peço que os colegas nos seus países façam o mesmo”.

As declarações do presidente do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) chocaram a eurodeputada do Bloco de Esquerda.
“O que é chocante é que o Sr. Weber e o PPE não perceberam nada do que se está a passar na Europa, e que está a haver mudanças. O perigo não é o extremismo. O perigo é pôr-se em causa a democracia”, disse ao Expresso Marisa Matias.

Também João Ferreira diz que as declarações de Weber “são reveladoras da real concepção de democracia” de dirigentes políticos “que não admitem opiniões diferentes das suas”. Para o eurodeputado do PCP, está em causa uma “inaceitável ingerência dos assuntos internos de um estado soberano”

João Ferreira vai mais longe e fala em chantagem política. “Mesmo em Portugal há quem tenha aberto a porta a este tipo de chantagem e de ingerência”, disse, referindo-se às declarações de Cavaco Silva, quando o Presidente indigitou, na semana passada, Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro.

“São declarações de uma violência verbal e de um anticomunismo que apenas podem responsabilizar quem as profere”, disse o eurodeputado.

Marisa Matias rejeita ainda o carimbo de “extremista” e justifica que “basta ler o programa” do Bloco de Esquerda para “ver que de extremista não tem nada”. Ao mesmo tempo desafia Weber a olhar para a própria família política antes de falar de extremismo.
“O governo do Viktor Orbán, que está na família do PPE, é realmente um governo extremista”, acusou a eurodeputada, referindo-se ao governo da Hungria.

“Quando se lança gás lacrimogéneo sobre pessoas, quando se constroem muros em fronteiras, quando se diz que o papel da mulher é ficar em casa, quando se fazem referendos racistas como foi feito na Hungria, isso sim é extremismo”, concluiu.