Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes. “O Presidente vai indigitar António Costa para formar Governo”

  • 333

Luís Barra

“Se o Governo de Passos chumbar no Parlamento, Cavaco vai dar posse a um Governo de Costa”, declarou este domingo Luís Marques Mendes. “Eis o que eu acho: O Governo vai chumbar no Parlamento”

No seu habitual comentário na SIC, Luís Marques Mendes foi perentório: mais cedo ou mais tarde, Cavaco Silva deverá dar posse a António Costa. “O Governo vai cair no Parlamento. Não vai haver violação da disciplina de voto, nem deve haver.”

Colocando vários cenários em cima da mesa, no caso do Governo ser chumbado por uma maioria de deputados na Assembleia da República, o antigo ministro social-democrata considera que o Presidente tem três hipóteses: um Governo de iniciativa presidencial, um Governo de gestão ou um Governo do PS, apoiado pelo BE e PCP.

O primeiro, considera, é uma “ficção científica”, uma vez que “a mesma maioria que chumba o Governo de Passos irá chumbar esse Governo” de iniciativa presidencial. Já em relação a um Governo de gestão, “não acredito que o Presidente da República equacione sequer essa hipótese”, sublinha. Com um Governo de gestão durante três ou quatro meses, eleições presidenciais e um novo Presidente a ter de convocar eleições legislativas antecipadas, “só teríamos, na melhor das hipóteses, o Orçamento em novembro de 2016, numa altura em que já se devia estar a pensar no Orçamento para 2017.”

Resta-lhe, assim, indigitar António Costa como primeiro-ministro, com apoio do PCP e do BE, se os três “chegarem acordo”. E afiança que o Presidente fica então de mãos e pés atados: “os Governos dependem da Assembleia da República. Se a Assembleia chumba o Governo, o Presidente pode não concordar, mas não pode opor-se, não tem poderes para isso. Solução: o Presidente vai indigitar António Costa para formar Governo.”

Ainda assim, o comentador da SIC deixa uma ressalva: um acordo à esquerda “ainda não está fechado” - é por essa razão que ainda não foi oficializado. O motivo, explica, poderá estar no PCP. “Há vencedores e vencidos, mesmo dentro dos partidos [da coligação negativa]”, realça. António Costa sairia vencedor, porque se tornaria primeiro-ministro. O BE seria provavelmente o maior vencedor, uma vez que “deixa de ser partido de oposição, para ser partido de Governo”. Já o PCP “não se percebe bem onde irá ganhar”: “daí o incómodo de Jerónimo de Sousa, dizendo que as medidas difíceis o PCP não aprova.”