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Jerónimo de Sousa garante que acordo com PS está “bem encaminhado”

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José Carlos Carvalho

“Existe a possibilidade real de o PS formar Governo e o PCP está fortemente empenhado nessa solução. Mas não vou avançar com conteúdos porque estaria a ser desleal”, afirmou este sábado o secretário-geral do PCP à TVI

O secretário-geral do PCP disse este sábado que o acordo com o Partido Socialista está “bem encaminhado”, mas escusou-se a revelar qualquer conteúdo das negociações, acrescentando “não fazer futurologia” sobre um entendimento a quatro anos.

Em entrevista à TVI, Jerónimo de Sousa reiterou que estão reunidas todas as condições para que o PS forme um Governo à esquerda, para dessa forma “afastar PSD/CDS-PP do poder”. o que no seu entender “já não será coisa pequena”.

Questionado, por diversas vezes, sobre as matérias em discussão e que tipo de acordo é que está a ser trabalhado nas reuniões bilaterais em curso entre PCP e PS, o líder comunista escusou-se sempre a responder, justificando que se o fizesse “estaria a ser desleal” com o Partido Socialista.

“Existe a possibilidade real de o PS formar Governo e o PCP está fortemente empenhado nessa solução. Mas não vou avançar com conteúdos porque estaria a ser desleal”, frisou Jerónimo de Sousa, dizendo que o PCP está neste processo negocial com os socialistas “de boa-fé, com honestidade e seriedade”.

Acordo para quatro anos? O PCP “não faz futurologia”

Alguns órgãos de comunicação social noticiaram este sábado que o acordo em discussão pelos três partidos de esquerda apenas garante um dos quatro anos da legislatura. Confrontado com esta possibilidade e se o acordo em discussão dá garantias para toda a legislatura, Jerónimo de Sousa afirmou que, da parte do PCP, “há essa disponibilidade”, mas sublinhou que não faz “futurologia”, garantindo que o partido é imune a pressões e que decidirá sempre autonomamente.

O líder comunista disse ainda que nestas negociações com o PS não está a ser abordada a hipótese de membros do PCP ocuparem lugares no Governo. “Para nós estar no Governo não é determinante neste processo. Não andamos à procura de lugares de poder nem de favores de ninguém. Não abdicamos da nossa identidade, do nosso projeto em troca de qualquer parcela de poder”, vincou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista salientou que o principal objetivo é derrotar o Governo e a política de direita, e encontrar uma solução política para o povo português. E revelou ainda que não houve contactos com o PS antes das eleições e que a primeira abordagem partiu dos socialistas a 7 de outubro.

Jerónimo de Sousa espera que o Presidente da República chame António Costa para formar Governo após a queda do executivo liderado por Pedro Passos Coelho, na sequência da moção de rejeição já anunciada pelos três partidos de esquerda, assim que a coligação PSD/CDS-PP apresentar o seu programa de Governo. Caso isso não venha a acontecer, o dirigente comunista diz que Cavaco Silva será o responsável pela instabilidade que um Governo de gestão terá “durante meses a fio”, quando tem uma alternativa estável.