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Política

Portas critica “argumento totalitário” dos partidos da esquerda

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FOTO José Carlos Carvalho

Líder centrista recusa a tese dos partidos de esquerda que falam em perda de tempo com a decisão de Cavaco Silva, que indigitou Passos Coelho primeiro-ministro

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, reuniu-se esta sexta-feira com o grupo parlamentar centrista para deixar aos deputados "ânimo" e "temperança" e argumentar aos jornalistas que dizer que a indigitação de Passos Coelho é uma perda de tempo é um "argumento totalitário".

"Dizer que é uma perda de tempo a indigitação do candidato a primeiro-ministro que venceu as eleições é um argumento totalitário. Os fenómenos totalitários sempre disseram e sempre argumentaram contra as democracia dizendo que fazia perder tempo. É bom que tenhamos memória", afirmou Paulo Portas.

O líder centrista e vice-primeiro ministro não quis adiantar se Nuno Magalhães se mantém na liderança do grupo parlamentar, remetendo para a próxima semana questões de "organização interna" da bancada, sinalizando, contudo, que "tem sido um excelente líder parlamentar".

Portas disse ter querido levar "uma palavra de ânimo, temperança e espírito de trabalho a favor do bem comum e do país aos 18 deputados do CDS", referindo que o partido "sempre contribuiu com qualidade na Assembleia da República e sempre garantiu que, na medida do que de si dependesse, havia cordialidade democrática e os debates tinham elevação".

O presidente centrista disse ter chamado a atenção do grupo parlamentar do CDS para "a circunstância" de estarem "em marcha operações de conquista do poder, apesar do voto e contra o voto", argumentando que, "em menos de um mês, há uma tentativa de quebrar três regras consensuais da democracia que sempre facilitaram o convívio democrático entre pessoas que pensam de maneira diferente".

Essas regras são, de acordo com o líder do CDS, que a formação de governo cabe a quem ganha eleições, que o presidente do parlamento é uma emanação da bancada com mais deputados, e que são "os partidos pró-europeus" que têm garantido "a governabilidade e a estabilidade".

"No preciso momento em que Portugal mais precisa de confiança para recuperar a sua economia, de investimento para gerar emprego, e de não colocar dúvidas sobre a sua credibilidade externa volto a dizer que considero uma aventura muito perigosa deixar a estabilidade e a governabilidade nas mãos de partidos que, legitimamente, são defensores ou da saída da União Europeia ou da zona euro", argumentou.

Apesar de considerar que "a tradição não é um valor absoluto", Paulo Portas argumentou que "pôr em causa regras que permitem às instituições funcionar divide profundamente a sociedade portuguesa, abre um precedente e mais cedo ou mais tarde virar-se-á contra os promotores dessa divisão".