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Política

PS apresenta moção de rejeição ao programa do Governo PSD/CDS

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António Costa à entrada para a reunião onde foi decidido apresentar uma moção de rejeição do novo Governo PSD/CDS

José Caria

Comissão política do PS deliberou dar indicações ao grupo parlamentar para apresentar uma moção de rejeição do programa de Passos Coelho. E renovou o mandato para Costa negociar à esquerda

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Foram quatro horas de reunião e, no final, a expectável união em torno do líder contra a decisão de Cavaco Silva de indigitar Pedro Passos Coelho primeiro-ministro. Só com duas abstenções, a Comissão Política do PS deliberou dar indicações ao grupo parlamentar para apresentar uma moção de rejeição ao programa do Governo e renovou o mandato ao secretário-geral para prosseguir as negociações com BE, PCP e PEV e "aprofundar contatos" com o PAN. Ficou a promessa do acordo que daqui resultar ser "oportunamente" presente em nova reunião do orgão deliberativo dos socialistas.

Mesmo as vozes mais críticas moderaram o tom. À saída da reunião, em declarações aos jornalistas, Álvaro Beleza reiterou que "o caminho não devia ter sido este mas, uma vez aqui chegados , devemos ter prudência e cautelas". O tom da intervenção do Presidente da República teve como primeira consequência a expectável união dos socialistas em torno de António Costa.

O líder socialista, de resto, na conferência de imprensa em que deu conta dos resultados da reunião, foi altamente crítico de Cavaco Silva, considerando "inaceitável" não a decisão de dar posse a Passos, mas o facto de ter excluído " do diálogo político a que tanto apelou um conjunto de partidos que representam" um milhão de eleitores. Costa acusou ainda o Presidente de ter criado "uma crise política inútil" que só "adia" a entrada em funções de um Governo com apoio parlamentar maioritário. E voltou a usar o adjetivo "inaceitável" para qualificar o facto do PR ter procurado "antecipar a apreciação do Programa de Governo usurpando uma competência da AR e pretendendo confundir um programa de Governo com os legítimos programas dos diferentes partidos políticos".

No comunicado à imprensa que chegou às redações já depois das duas da manhã, o PS considera "absolutamente contraditório o discurso do Presidente face aos seus reiterados apelos ao compromisso. Garante estar "em condições de liderar uma solução alternativa, maioritária, consistente e duradoura, capz de respeitar a vontade de mudança expressa pelos portugueses e de garantir o respeito integral pelos compromissos internacionais, designadamente europeus, de Portugal". E sublinha: "O Presidente não tem o direito de questionar a genuidade e a validade do compromisso de um Governo PS com a opção estratégica europeia ou com a observância dos compromissos no quadro europeu".