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“Não começou bem o seu mandato.” Montenegro questiona isenção de Ferro Rodrigues

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Marcos Borga

Líder parlamentar do PSD lamenta que a “tradição” tenha sido quebrada esta sexta-feira de tarde com a eleição de um presidente da Assembleia da República que não pertence ao partido mais votado nas legislativas. Mas garante “fair-play democrático”, não deixando contudo de defender que o critério de isenção de Ferro Rodrigues não está garantido

“Pela primeira vez, quebra-se uma regra. Lamento que o sr. deputado Ferro Rodrigues tenha sido eleito em confronto com esta tradição que é eleger um presidente oriundo do partido mais votado”, afirmou Luís Montenegro na tarde desta sexta-feira, na sessão parlamentar que se seguiu à eleição do socialista como presidente da Assembleia da República.

“Na nossa democracia sempre foi assim: quem tem mais votos vence e é Governo - e dirige os trabalhos [na Assembleia da República]. Quem tem menos votos constitui-se como oposição e neste caso respeita a direção dos trabalhos”, prosseguiu Montenegro.

Lamentando que a “tradição” tenha sido quebrada com a escolha de um presidente da Assembleia da República que não pertence ao partido mais votado nas legislativas, o líder parlamentar do PSD assegurou, no entanto, “fair-play democrático” e desejou um bom mandato a Ferro Rodrigues.

Ainda assim, não deixou de criticar o discurso de Ferro Rodrigues e de questionar se o critério de isenção pode ser garantido pelo socialista . Disse também desejar que o “contágio da campanha eleitoral” não se estenda à presidência da Assembleia da República.

“Também quero dizer que não começou bem o seu mandato. Quero dizer com toda a franqueza e frontalidade, porque fiquei com a sensação de que as garantias de isenção que devem estar na base da função estão ainda longe de serem garantidas", acusou o social-democrata, recebendo fortes aplausos das bancadas da direita.

Defendendo que o desejo dos portugueses foi expresso de “forma clara e inequívoca” na eleições do passado dia 4 de outubro, Montenegro disse ser vital não pôr em causa todo o esforço e sacrifício dos portugueses - que se tornou visível no caminho de “recuperação económica” - ao longo dos últimos quatro anos.

Afirmou ainda que os cidadãos escolheram o programa político da coligação Portugal à Frente (Pàf) como base governativa e neste sentido deixou um apelo ao PS. “Cabe às outras bancadas a responsabilidade de respeitar a vontade do povo e encontrar disponibilidade para encontrar compromissos.”