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Política

Jerónimo acusa Cavaco de atuar como “procurador dos mercados financeiros”

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Marcos Borga

Líder do PCP diz que a indigitação de Passos “vai contra o quadro constitucional”. E assegura: Governo de direita “soçobrará na Assembleia da República”

“Intolerável”. É assim que Jerónimo de Sousa classifica a declaração que o Presidente da República fez na noite desta quinta-feira, na qual anunciou aos portugueses a decisão de indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro. Para o secretário-geral do PCP, Cavaco Silva atuou “em função dos serviços aos quais se coloca”, como um “procurador dos mercados financeiros” e dos “interesses transnacionais”.

Falando aos jornalistas na manhã ao fim da manhã desta sexta-feira, Jerónimo de Sousa considerou que a declaração do chefe de Estado constitui “uma atitude de pressão e chantagem sobre os deputados”. E fez previsões: Cavaco Silva vai ter de “assumir responsabilidades na instabilidade política” que está para chegar. Isto porque o líder comunista voltou a confirmar que aprovará a moção de rejeição que PS vai apresentar contra o novo Governo liderado por Passos Coelho. “A decisão de Cavaco Silva soçobrará na Assembleia da República, dando expressão à vontade que foi expressada pelo povo português”, vincou.

Jerónimo relembrou ainda que um Governo de iniciativa PS “tem condições garantidas” para aprovar um programa e um Orçamento de Estado. Já para falar das negociações sobre o acordo com António Costa, o líder comunista mostrou-se mais reservado, reforçando que este é “um processo em curso”.

O líder do PCP mostra-se nesta declaração em linha com a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que acusou Cavaco, na noite de quinta-feira, em entrevista à TVI, de agir como “o líder de uma seita”.

Já o PS apressou-se a confirmar esta madrugada, no final da reunião daComissão Política Nacional, que vai avançar com uma moção de rejeição assim que Passos Coelho apresentar o programa de Governo na Assembleia.