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Ferro Rodrigues não juntou os 122 votos da esquerda

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Marcos Borga

Para ter todos os votos da esquerda, Ferro Rodrigues teria de recolher 122 – o total de deputados do PS, BE e CDU. Foi eleito com menos

Eduardo Ferro Rodrigues foi eleito esta sexta-feira presidente da Assembleia da República (AR) com 120 votos, ultrapassando em quatro votos os 116 de uma maioria absoluta necessária para a eleição do presidente.

Sendo o voto secreto, é impossível saber se os votos dados ao socialista são ou não exclusivos da esquerda. O que se pode sublinhar é que, se forem somados todos os deputados dos partidos da esquerda parlamentar (86 do Partido Socialista, 19 do Bloco de Esquerda e 17 da CDU), são 122 no total.

Ou seja, poderá dizer-se que a esquerda parlamentar não está na totalidade dentro dos 120 votos dados a Ferro Rodrigues, dada a diferença de dois votos. Contudo, entre os 120 que votaram no socialista poderão também estar deputados de direita.

Fernando Negrão, candidato da coligação PSD/CDS à Assembleia, recolheu 108 votos, menos 12 do que Ferro Rodrigues. Na mesma lógica, há que sublinhar que o número ultrapassa ligeiramente a totalidade de 107 deputados eleitos pela coligação.

Pelo meio, e perfazendo os 230 deputados que compõem a Assembleia da República, está um mandato do PAN.

É a primeira vez desde o 25 de Abril que o presidente do Parlamento não pertence ao partido mais votado nas legislativas.

A candidatura de Ferro Rodrigues tinha sido subscrita pelo número máximo de deputados (46), incluindo membros da anterior direção parlamentar, presidentes de federação, cabeças de lista, pelo presidente do PS - Carlos César - e pelo secretário-geral do PS, António Costa.

Entre os subscritores encontravam-se apoiantes de António José Seguro nas eleições primárias de 2014: Eurico Brilhante Dias e João Soares - que integraram o secretariado nacional do PS com António José Seguro -, assim como José Luís Carneiro - presidente da federação distrital do Porto - e António Gameiro - presidente da federação distrital de Santarém.

No seu primeiro discurso como presidente da AR, e numa referência a Cavaco Silva - que fechou a porta no futuro a um governo com apoio do PCP e do Bloco -, Ferro Rodrigues afirma que “assim como não há deputados de primeira e de segunda, não há coligações aceitáveis e outras puníveis”. Recordando que a Constituição portuguesa vai assinalar 40 anos, o novo presidente declarou que neste percurso o país concretizou sonhos e que o futuro abre a porta a novos sonhos. “Temos de estar à altura destes novos sonhos”, afirmou, sob forte aplausos da esquerda parlamentar.

O apelo de Cavaco

O Presidente da República, Cavaco Silva, na sua comunicação ao país na quinta-feira em que indigitou Passos Coelho como primeiro-ministro, disse que a última palavra no processo de formação do Governo cabe à Assembleia da República - "mais precisamente aos deputados" -, que apreciarão o programa do Governo.

Cavaco Silva fez-lhes o apelo direto para que "decidam em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem".

A afirmação pode ser lida como um apelo aos deputados do PS para deixarem passar o governo da coligação de direita. "Como Presidente da República, assumo as minhas responsabilidades constitucionais. Compete agora aos deputados assumir as suas", concluiu Cavaco Silva, na quinta-feira.

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