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De presidente para Presidente: “Não há coligações aceitáveis e outras banidas”

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Foi sob fortes aplausos dos partidos de esquerda que Ferro Rodrigues iniciou e terminou o primeiro discurso enquanto novo presidente da Assembleia da República. E falou de presidente (do Parlamento) para Presidente (da República): criticou os argumentos utilizados por Cavaco Silva na comunicação ao país em que explicou a indigitação de Passos e censurou a austeridade da coligação - criticou as “feridas sociais” causadas pelo ajustamento e apelou à “construção de compromissos” numa legislatura que enceta na sua visão uma “renovada esperança”

Marcos Borga

Num discurso marcado por críticas à direita e ao Presidente da República, Eduardo Ferro Rodrigues começou por ressalvar que espera estar à altura dos antigos presidentes da Assembleia da República. Depois, não deixou de criticar a política de austeridade levada a cabo pelo anterior Governo e a comunicação ao país de Cavaco Silva, que fechou a porta no futuro a um governo do PS apoiado por PCP e Bloco.

"Assim como não há deputados de primeira e de segunda, não há coligações aceitáveis e outras banidas", disse. Recordando que a Constituição portuguesa vai assinalar 40 anos, o novo presidente da Assembleia da República - eleito com 120 votos, mais 12 que os 108 de Fernando Negrão - declarou que neste percurso o país concretizou sonhos e que o futuro abre a porta a novos sonhos. "Temos de estar à altura destes novos sonhos", afirmou, sob forte aplausos da esquerda parlamentar.

Marcos Borga

Na sua primeira intervenção como presidente do Parlamento, o socialista sublinhou o papel da Assembleia da República enquanto “centro de grandes debates políticos” e “espaço de diferenças”, mas também lugar de “construção de compromissos” que exige respeito. Afirmando que uma “democracia de qualidade não se esgota no dia de eleições”, Ferro Rodrigues lamentou o facto de os portugueses se sentirem distantes do poder e de se mostrarem insatisfeitos com a situação do país. Lamentou ainda as “feridas sociais” causadas pelo programa de ajustamento, manifestando-se preocupado com o desemprego, a emigração e a pobreza.

Marcos Borga

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