Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

CIP diz que “tom crispado” usado por Cavaco prejudica ambiente político

  • 333

MIGUEL A. LOPES / Lusa

“Receio que, com este tom do discurso, O Presidente venha crispar o ambiente político-partidário num momento em que precisamos de tranquilidade para vencer os desafios que temos pela frente”, diz António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considera que o Presidente da República usou no seu discurso um "tom crispado", que pode "prejudicar o ambiente político-partidário" e o "quadro de diálogo de estabilidade".

Em declarações esta sexta-feira à agência Lusa, António Saraiva, disse que o discurso de Cavaco Silva vem na sequência do que já era esperado: a indigitação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, depois do PSD ter sido o partido mais votado nas eleições legislativas de 4 de outubro.

"Considero, contudo, que o discurso teve um tom um pouco crispado e que, num momento em que todos (agentes políticos envolvidos, agentes sindicais e empresariais) desejamos estabilidade, o Presidente da República deveria ter usado um tom mais apaziguador, independentemente da solução que foi encontrada e que era obviamente a lógica e normal", salienta.

António Saraiva diz recear que o tom usado por Cavaco possa prejudicar o quadro de diálogo de estabilidade. "Receio que, com este tom do discurso, venha crispar o ambiente político-partidário num momento em que precisamos de tranquilidade para vencer os desafios que temos pela frente", conclui.

O primeiro-ministro Passos Coelho, já indigitado, deverá agora apresentar ao Presidente da República uma proposta de composição do Governo e, depois de tomar posse, terá dez dias para apresentar o seu programa à Assembleia da República.

Esta quinta-feira, Cavaco Silva disse lamentar profundamente que, num tempo em que importa consolidar a trajetória de crescimento e criação de emprego e em que o diálogo e o compromisso são mais necessários do que nunca, que interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional".

O Presidente considerou que, apesar do Governo PSD/CDS poder não assegurar inteiramente a estabilidade política necessária, "a alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas" teria consequências financeiras, económicas e sociais "muito mais graves".