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Sousa Pinto falha comissão política do PS

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Marcos Borga

O dirigente socialista, que há duas semanas se demitiu do secretariado nacional por discordar de um entendimento com BE e PCP, não vai estar na reunião desta noite da comissão política. Razões de saúde “calam” uma das vozes que mais poderia incomodar António Costa

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A intervenção de Sérgio Sousa Pinto era uma das mais aguardadas na reunião da comissão política do PS, convocada para as 21h30 desta quinta-feira. Mas o deputado e ex-dirigente do PS, que se demitiu do secretariado nacional há duas semanas por discordar da estratégia de António Costa de negociar com os partidos à sua esquerda, não vai estar presente, segundo disse ao Expresso.

Uma intervenção cirúrgica impede-o de repetir, ao vivo e a cores, as explicações para a sua demissão - que tinha previsto dar na reunião desta noite da comissão política, inicialmente prevista para terça-feira da semana passada, e que acabou por elencar num longo post na sua página do Facebook.

Sousa Pinto discorda frontalmente de uma solução que logo na sua demissão qualificou como "barafunda suicidária". No Facebook, escreveu porque descrê da frente de esquerda patrocinada pelo seu partido: "A direita, desorientada como uma galinha decapitada, lembra-nos que os comunistas comem criancinhas. Não comem. Nem querem ir para o Governo. Como também não o quer o Bloco. Não lhes interessa partilhar o fardo de governar. Querem um Governo fraco do PS, para derrubarem quando for oportuno. Quando o Bloco descer e o PCP subir? Quando o Bloco subir e superar o PS nas sondagens? Não sei. Talvez um destes mesquinhos objetivos táticos seja alcançado. Mas, ao mesmo tempo, a direita terá a sua maioria absoluta. Que guardará por muitos anos. Enquanto o país se lembrar dos dias que estamos a viver".

Esta noite esperava-se que a sua voz fosse a mais incómoda numa comissão política com propensão para a unanimidade - há duas semanas, o mandato que Costa pediu para poder negociar com todas as forças políticas do quadro parlamentar foi aprovado por mais de 60 votos a favor, com apenas quatro contra e três abstenções.

Francisco Assis, outro dos que têm assumido uma discordância frontal da estratégia seguida pelo líder socialista, não faz parte da comissão política. As despesas das críticas ficam assim nos ombros de Álvaro Beleza, Eurico Brilhante Dias, António Galamba e poucos mais - da anterior direção de António José Seguro.

  • Assis “frontal e absolutamente contra” qualquer Governo de esquerda

    Eurodeputado socialista quer ver o PS como “principal partido da oposição”, e não a renunciar “à sua dimensão de partido transformador e reformista”. Para Francisco Assis, há argumentos favoráveis a um acordo do PS com PCP e Bloco que são uma “despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder”