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Presidente da República fala ao país depois das 20h

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marcos borga

Comunicação de Cavaco Silva surge depois de ter ouvido todos os partidos com assento parlamentar. Tanto Passos Coelho como António Costa já manifestaram publicamente a intenção de serem indigitados primeiro-ministro

Cavaco Silva faz hoje à noite, após as 20h, uma comunicação ao país, depois de concluída a audição dos partidos sobre a formação do novo Governo, disse à Lusa fonte oficial da Presidência da República. O chefe de Estado fala aos portugueses depois de uma semana em que Bloco e PCP saíram de Belém a dizer que “será uma perda de tempo” indigitar Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, tendo manifestado apoio ao PS para formar Governo.

Por sua vez, o líder da coligação saiu de Belém esta semana a pedir “celeridade” a Cavaco Silva e “responsabilidade” ao PS, certo de que irá ser indigitado. “É um dever de todos, dos que ganham e dos que perdem, garantir condições de governabilidade”, disse Passos Coelho esta terça-feira, depois de ter sido ouvido pelo Presidente da República.

Convicto de que irá ser convidado a formar Governo, Passos deixou um aviso ao maior partido da oposição: a estabilidade do próximo mandato é indispensável “à recuperação económica e financeira do país”. “Se o próximo Governo não tiver estabilidade, haverá um adiamento do investimento e da nossa capacidade de crescer e de criar emprego”, afirmou, deixando muito claro que não está apenas em causa a viabilização de um programa de Governo mas também a necessária “aprovação de um Orçamento de Estado”.

No mesmo dia, António Costa saiu de Belém disponível para ser indigitado já primeiro-ministro. “O senhor Presidente fará como entender. Do nosso ponto de vista há uma solução alternativa e o país não ganha nada em prolongar uma situação de incerteza”, afirmou António Costa à saída da audiência (que durou pouco mais de meia hora) com Cavaco Silva, anunciando ao país que “estão criadas as condições” para o PS liderar um executivo com apoio maioritário no Parlamento – contrariamente ao PSD.

“Esgotada a possibilidade de o PSD apresentar uma solução com suporte maioritário na Assembleia da República, o PS entende que não se deve furtar ao seu dever para proporcionar ao país uma solução estável para a legislatura (...) Julgamos estarem criadas as condições”, afirmou o líder socialista.

Sem querer antecipar uma decisão que só cabe a Cavaco Silva (“o senhor Presidente fará como entender”), disse entender que deveria ser já empossado: “Julgamos ser do interesse nacional não prolongar no tempo uma situação de indefinição”, disse Costa.

Também na terça-feira, e igualmente depois de ser ouvida por Cavaco Silva, a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins foi clara: “Indigitar Pedro Passos Coelho será uma perda de tempo”. E disse mais: “Estamos empenhados na viabilização de um novo governo. No que nos diz respeito, estão criadas as condições para um governo que não tenha Passos Coelho e Paulo Portas. Um governo que proteja o emprego, salários e pensões”, afirmou Catarina Martins, manifestando apoio à formação de um governo liderado pelo PS.

No dia seguinte, Jerónimo de Sousa manteve o tom do discurso dos partidos da esquerda ouvidos por Cavaco Silva. “Passos Coelho não tem condições para ser indigitado como primeiro-ministro”. O secretário-geral do Partido Comunista considerou que um Governo de iniciativa PS pode ter uma "ação duradoura e estável".

Numa curta declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, Jerónimo de Sousa voltou a afirmar que a coligação de direita saiu “derrotada” das eleições de dia 4 de outubro. Neste sentido, para o líder comunista “há outra solução governativa” que deve impedir Passos Coelho de formar Governo. E repetiu o que Catarina Martins disse mais do que uma vez no dia anterior, também à saída da audiência com Cavaco Silva: “Será uma perda de tempo indigitar” o líder da coligação.

  • Passos pede “celeridade” a Cavaco e “responsabilidade” ao PS

    Um programa de Governo não chega. É preciso um Orçamento. Passos pede “celeridade“ ao Presidente da República e diz-se “persuadido de que o PS não deixará, no Parlamento, de assumir as suas responsabilidades”. Sem estabilidade, avisa, a recuperação económica fica em causa

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    À saída de Belém, o líder do PS disse "estarem criadas as condições por parte do PS para uma solução de estabilidade". Um acordo político de princípios pode estar iminente e envolve um compromisso de legislatura. Mas, para já, só entre socialistas e bloquistas. Com o PCP as reuniões prosseguem, mas com menos desenvolvimentos e maior reserva

  • Catarina Martins: “Indigitar Pedro Passos Coelho será uma perda de tempo”

    Porta-voz do Bloco de Esquerda, que se reuniu com o Presidente da República, diz que o partido está “empenhado na viabilização de um novo governo”. Mais: “Criámos condições para uma solução estável”. E ainda: “Os reptos que o Bloco de Esquerda lançou tiveram uma resposta positiva da parte do Partido Socialista”. Declarações de Catarina Martins surgem depois de António Costa, que também se reuniu com Cavaco, ter dito que pretende ser indigitado já pelo Presidente da República