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Portugal é uma “criança-problema da zona euro”, escreve jornal britânico

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António Costa

Rui Duarte Silva

Lisboa desafia a zona euro e vive o seu “momento Muro de Berlim”, escreve o “The Telegraph”. E sublinha o impacto de um eventual Governo maioritário de esquerda nos mercados: “Uma medida perigosa na jovem democracia” com memórias frescas da ditadura de Salazar

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

"Portugal desafiador destrói a complacência política da zona euro", titula a notícia de abertura desta quinta-feira do site do jornal britânico "The Telegraph", cujo destaque afirma que os "os comunistas e esquerdistas antieuro em Portugal vivem o seu "momento Muro de Berlim".

O artigo do site do diário britânico declara que Bruxelas enfrenta uma segunda revolta antiausteridade, com a esquerda portuguesa a "rasgar o guião" e a exigir o direito a governar. António Costa é descrito como o "líder do Partido Socialista e filho de um poeta goês", que "recusa alinhar com mais cortes" nos salários da função pública ou "submeter-se docilmente à coligação de direita sob direção da agora retirada troika". Contra todas as expectativas, lê-se, Costa "suspendeu" a luta histórica do seu partido com os comunistas, combinou uma aliança tripla com o Bloco de Esquerda e o trio "exigiu o direito de governar o país", somando "os três juntos uma maioria absoluta" no Parlamento português.

"Portugal endividado é ainda uma criança-problema da zona euro", reza num destaque do artigo do "The Telegraph" contando pelo caminho que o Presidente de Portugal tem o direito constitucional de "renomear a velha guarda" - o que pode de facto ainda fazer nos próximos dias, "deixando o país ingovernável", o que, "seria uma medida perigosa na jovem democracia com memórias ainda relativamente frescas da ditadura de Salazar".

O chefe do bloco conservador do Parlamento Europeu, Joseph Daul, é citado pelo jornal avisando que "Portugal enfrenta agora seis meses de caos, arriscando seguir o caminho da Grécia".

"A revolta antiausteridade em Portugal é uma antecipação do que poderá acontecer numa série de Estados da União Económica e Monetária" sujeitos à expansão da economia global, escreve o diário britânico, concluindo com o rápido veredicto dos mercados através da opinião expressa pelo Radobank, descrevendo as alterações como um choque político: "Teríamos grande relutância em investir em dívida portuguesa".