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Há sangue novo no Parlamento

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Luis Barra

Os novos deputados foram recebidos na Assembleia da República esta quinta-feira e o dia que se segue já será de trabalho no hemiciclo. Luís Monteiro, o mais novo dos eleitos, aproveitou para "conhecer os cantos" à casa.

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

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Jornalista

Luís Barra

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Chegaram esta quinta-feira à Assembleia da República e são a expressão do voto dos portugueses, que os elegeram a 4 de outubro. Aos já habituados a frequentar e habitar diariamente a casa da Democracia juntam-se novas caras, que se sentarão pela primeira vez no hemiciclo esta sexta-feira.

Luís Monteiro é o deputado mais novo da legislatura que começa. Já sabia de cor o exterior da Assembleia e agora chegou o tempo de conhecer o seu interior. O primeiro dia foi, segundo o próprio, "mais organizativo do que outra coisa". Haverá tempo para percorrer os corredores de São Bento, mas o bloquista decidiu começar já a explorar.

Eleito pelo círculo do Porto, aproveitou a manhã para "conhecer os cantos à casa", embora "já conhecesse a Assembleia da República de outra perspetiva". "Vim cá várias vezes em algumas manifestações estudantis e em alguns momentos das últimas grandes manifestações que aconteceram no país", diz. Relembra que o ativismo não é de agora. Nesta legislatura assume a "responsabilidade de representar todos aqueles que têm sido vítimas da austeridade".

O debutante considera que esta é a oportunidade "de haver uma voz jovem que defenda as gerações mais novas, por exemplo as que tem vindo a emigrar, as que viram as bolsas de estudo cortadas e o futuro com estágios não remunerados e falsos recibos verdes".

Luis Barra

Promete não esquecer "todo o trajeto" que tem "vindo a fazer" e considera que este é "o espaço onde as reivindicações podem realmente ser ouvidos de outra forma". Quanto às mudanças, que Luís Monteiro espera serem especialmente de políticas, acontecerão também na própria vida.

"Vou começar a viver em Lisboa durante a semana, mas nunca deixarei de ir visitar o meu distrito, o do Porto, ao fim de semana", expressa. "Mudam também a responsabilidade e os horários, mas a vontade está cá toda".

Por enquanto terá de conciliar o trabalho parlamentar com a esfera académica, mas apenas lhe falta entregar a dissertação do mestrado. Está a escrevê-la e depois estará apenas na vida política. Quanto ao seu papel dentro da bancada parlamentar, ainda não o conhece. A bancada terá de reunir. Luís Monteiro mostra especial interesse nas áreas "do ensino, da precariedade, da emigração e do emprego jovem".

Os deputados debutantes até podem estar ansiosos de mostrar as suas propostas, mas esta noite percebeu-se que os tempos que se avizinham não serão fáceis. Qualquer que seja o futuro ou duração da legislatura, a importância dos parlamentares acabou de crescer.

As palavras são do Presidente da República e não deixam margem para dúvidas. Aquando do discurso desta noite, sobre a indigitação de Pedro Passos Coelho como Primeiro-Ministro, Cavaco Silva pediu aos deputados que decidam — "em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal" — se o governo deve ou não assumir funções. Em entrevista à TVI, Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, reafirmou que o partido votará uma moção de rejeição. Também o Partido Comunista Português seguirá o mesmo caminho.