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Ferreira Leite. Governo à esquerda “também é instável”

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José Carlos Carvalho

No habitual espaço de comentário da TVI24, a antiga líder do PSD diz ter ficado “perplexa” com os deputados que afirmaram “ser uma perda de tempo” indigitar Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. É quase como se os próprios dissessem que são uns “idiotas” e sem capacidade de pensarem sozinhos

Manuela Ferreira Leite mostrou-se satisfeita com a escolha de Cavaco Silva, que indigitou Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. Na noite desta quinta-feira, no habitual espaço de comentário na TVI24, a antiga líder dos sociais-democratas defendeu que “o Presidente da República não poderia ter tomado outra decisão” e disse que ficou “perplexa” com os comentários de “alguns deputados” que afirmaram que esta nomeação “era uma perda de tempo”.

“Fico perplexa com os deputados a afirmarem que é uma perda de tempo indigitar Pedro Passos Coelho”, considerou. Ferreira Leite sublinha ainda que esta atitude é quase como os próprios deputados dizerem que são “uns idiotas” e que são incapazes de pensarem sozinhos, pois estão a considerar “inútil” uma discussão “que pertence à Assembleia da República”.

Na opinião de Manuela Ferreira Leite, um Governo de esquerda, que inclua PS, Bloco e PCP, “também é uma solução instável”. A antiga líder dos sociais-democratas sublinhou que os portugueses ainda não sabem quais são os compromissos feitos entre estes partidos: “Ainda não vimos esse acordo, só ouvi falar dele”. Se for um apoio “caso a caso”, então essa é “máxima instabilidade” que o país pode ter.

“Vendem a alma ao diabo para que a coligação de direita não governe ”, afirmou. Ainda sobre o entendimento à esquerda, Ferreira Leite admitiu que “há uma semente a germinar” no seio do PCP, com as pessoas mais jovens que veem o partido “não apenas como partido de protesto”. Apenas assim é que “se compreende a mudança do Partido Comunista” ao aliar-se aos socialistas.

“Não houve vontade de negociar de ambos os lados”

A antiga secretária-geral dos sociais-democratas lamenta “que não tenha sido possível um compromisso” entre PSD e PS, referindo que se estivesse na posição de Passos, após o Presidente da República lhe incumbir a tarefa de negociar com os partidos, teria agido de forma diferente: “Se estivesse na cabeça dele [Passos Coelho] tinha saído de Belém e tinha ido para o Largo do Rato. O que ele fez imediatamente foi um acordo com o CDS”.

“Em primeiro lugar nunca houve propriamente uma negociação. A única coisa que houve foi uma troca de cartas na comunicação social”, sublinhou Ferreira Leite. “Percebe-se que, de ambos os lados, não existiu vontade de negociar”, acrescentou.

Manuela Ferreira Leite diz-se chocada com o rótulo de “partido de direita” atribuído ao PSD, sendo que se trata de “um partido de centro”. Ao longo dos últimos tempos os sociais-democratas e os socialistas “afastaram-se, com o PSD a aproximar-se da direita e o PS da esquerda”.

“Agora gostava de ver uma aproximação do PSD ao PS”, concluiu.