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Portas: “Governo do PS estará ferido de ilegitimidade”

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MÁRIO CRUZ / LUSA

Em entrevista à Rádio Renascença, Paulo Portas diz que há “limites para a desconsideração” pelos eleitores, pelo Parlamento e pelo próprio chefe de Estado, depois de António Costa ter ido ao Palácio de Belém comunicar ao Presidente que o PS está em condições de formar Governo

Paulo Portas defendeu esta terça-feira à noite, em entrevista à Rádio Renascença, que se António Costa formar Governo estará “ferido de ilegitimidade” e que o país deverá evitar as consequências de um “caos político.”

“Na hipótese de um Governo de maioria relativa do PS, que é uma maioria relativa muito mais pequena do que a coligação, que é a maioria relativa de quem perdeu, que a maioria relativa do candidato a primeiro-ministro que perdeu, apenas para não deixarem quem ganhou governar, o que eles vierem a fazer como maioria relativa está ferido de ilegitimidade”, afirmou o líder do CDS-PP ao programa “Terça à Noite” da Renascença.

Segundo o vice-primeiro-ministro cessante, a pretensão de Costa querer liderar o próximo Executivo rompe com a tradição democrática, sublinhando que foi a coligação Portugal à Frente (PàF) que obteve mais votos nas legislativas. “Nós vivemos em democracia, há limites para a desconsideração por quem é o soberano, o povo e a representação do soberano, que são os deputados”, declarou.

Lembrando que a primeira etapa é a indigitação do primeiro-ministro e que não vale a pena antecipar cenários hipotéticos, Portas insistiu porém que a intenção secretário-geral do PS vai contra a maioria da vontade popular.

“Aquilo que eu vi o dr. António Costa fazer hoje à saída do Palácio de Belém é fazer pouco do povo, é fazer pouco do Parlamento e também não tenho a certeza de que seja uma forma de consideração pelo chefe de Estado, seja ele quem for”, acrescentou.

Voltando a pegar na ideia do medo, o líder do CDS alertou para as consequências de um cenário de instabilidade, depois de o país ter terminado com sucesso o programa de resgate. Mesmo quem votou no PS ou noutras forças políticas, frisa Portas, “não votou com certeza num caos político, num impasse político, numa crise permanente ou numa instabilidade crónica ou no questionamento dia sim, dia não dos compromisos internacionais de Portugal”.

Garantindo que ninguém conhece os compromissos do PS com os partidos à sua esquerda, Paulo Portas sustenta que nada pode colocar em causa o projeto europeu, nem as regras europeias.

“Pôr a governabilidade a a estabilidade de Portugal nas mãos de acordos que não se conhecem, cuja duração ninguém pode prever e que têm como atores centrais o PCP e o BE isso à economia não vai fazer nada bem, isso à confiança em Portugal não faria nada bem, isso à nossa credibilidade externa não faria nada bem, e portanto, é nesse sentido que eu estou muito preocupado com evolução que o PS fez.”

Esta terça-feira, António Costa foi ao Palácio de Belém comunicar ao Presidente da República que o PS está em condições de formar Governo e que espera ser logo empossado como primeiro-ministro.