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“Charlie Hebdo” elogia Portugal e o “mestiço” António Costa

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Semanário satírico francês saúda na sua edição desta quarta-feira a perspetiva da “frente comum” da esquerda em Portugal e aconselha espanhóis e franceses a seguirem o exemplo. “Charlie Hebdo” diz que PCP e BE agem “como na Grécia, com concessões ao realismo para bater uma direita antissocial”

Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas

Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas

O artigo sobre Portugal é um texto de análise política que poderia ser publicado na íntegra em qualquer outro jornal francês da área da chamada “imprensa séria”. Sem a sátira habitual que o caracteriza, o jornal “Charlie Hebdo” desta quarta-feira é muito entusiástico sobre a possível aliança PS/BE/PCP em Portugal e diz que socialistas e toda a esquerda espanhola e francesa deveriam seguir o exemplo do PS português de António Costa.

Na ilustração que acompanha o texto - um cartoon da autoria do desenhador Juin - vê-se o líder do PS francês, Jean-Christophe Cambadélis, a dizer que está satisfeito com a realização de um referendo interno sobre a unidade da esquerda no seu país. Com este desenho e o texto, o semanário chama a atenção para o facto de o PS português estar a avançar concretamente para a união da esquerda, ao contrário do partido homólogo francês.

Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda com efeito a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas que, por sua vez, são igualmente aplaudidos pelas suas “concessões ao realismo para salvarem o essencial: bater uma direita antissocial”.

“Ao abandonarem de momento o seu programa de saída do euro, os aliados (de Costa) fizeram prova de realismo, mostrando, como Tsipras (chefe do Governo grego), que a esquerda antiliberal pode ser outra coisa que um protesto ou uma utopia”, escreve o articulista.

Noutro ponto do texto, as esquerdas espanhola e francesa são aconselhadas a “meditar” sobre “as lições das eleições portuguesas”, nas quais Jean-Yves Camus realça que uma parte da “base militante” de um PS, "anteriormente minado por escândalos", se “virou para o Bloco de Esquerda e a sua figura de proa, Catarina Martins”.

O artigo conclui com destaque para o muito fraco resultado da extrema-direita portuguesa nas eleições: "Que belo símbolo, que este Portugal em crise, onde a extrema-direita apenas recolhe 0,5% dos votos, demonstrando desse modo que não existe nenhuma fatalidade que conduza a que seja esta família política a ganhar com a recessão!".

Jean-Yves Camus termina com um forte elogio a Portugal - “este país injustamente ignorado” - que “conheceu nos anos 1960-70 mortais guerras coloniais", e que "acaba igualmente de mostrar um outro dos seus aspetos simpáticos: o da tolerância cultural”. Porque, sublinha, “António Costa é mestiço, filho de um pai originário de Goa (…) e, lá (em Portugal), isso é um não-assunto”.