Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Centro-direita europeu sai em defesa de Passos e aponta o dedo ao PCP

  • 333

JUAN CARLOS HIDALGO / EPA

Presidente do Partido Popular Europeu diz que o PCP defende posições em Bruxelas contrárias às que defende em Portugal. E desafia o PS a dizer claramente se pretende ou não fazer uma aliança “com extremistas”

O partido de Jerónimo de Sousa foi o alvo do presidente do Partido Popular Europeu - a família política do PSD e CDS. No primeiro dia de congresso do PPE em Madrid, o francês Joseph Daul aponta o dedo ao Partido Comunista Português, acusando-o de ter uma posição na Europa e outra totalmente diferente em Portugal.

“Os comunistas portugueses no Parlamento Europeu pediram que no próximo orçamento (comunitário) haja uma linha prevista para a saída de Portugal do Euro. Ao mesmo tempo, os comunistas em Portugal dizem que não há qualquer problema e que querem ficar na Europa.”

Daul referia-se à iniciativa dos eurodeputados do PCP, que estão a recolher assinaturas em Bruxelas para incluir no orçamento comunitário uma rubrica para financiar a saída de Estados da zona euro.

O Presidente do PPE não está satisfeito com o rumo que tomaram as negociações para a formação de um governo em Portugal e desafiou esta quarta-feira o PS a dizer claramente se pretende ou não fazer uma aliança “com extremistas”. “Prefiro que o nosso partido perca votos mas que mantenhamos as bases e os valores”, disse, rejeitando quaisquer coligações do centro-direita com partidos anti-Europa.

Daul foi ainda mais longe e acenou com a possibilidade de Portugal vir a passar pela mesma instabilidade política e económica que a Grécia viveu nos últimos meses, durante as negociações do programa de resgate.

“Acho que é preciso alertar os cidadãos para o golpe de perdermos cinco ou seis meses”, disse, referindo-se às longas negociações entre o governo do Syriza e a troika. O político francês acredita que os jogos à esquerda podem custar milhões de euros e obrigar os portugueses a fazer novos “esforços para voltar à normalidade.”

Já o secretário-geral do Partido Popular Europeu, o espanhol Antonio López-Istúriz, diz que uma coligação de esquerda em Portugal poderia dar um mau sinal aos investidores, pondo “em causa tudo o que foi conseguido até agora”.

O eurodeputado do partido de Mariano Rajoy teme ainda que um entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e PCP possa ser seguido pelos partidos de esquerda espanhóis. Espanha vai a votos no dia 20 de dezembro.

O congresso do Partido Popular Europeu decorre esta quarta e quinta-feira em Madrid. Vão estar presentes vários chefes de Estado e de Governo, como a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, o irlandês Enda Kenny, o espanhol Mariano Rajoy. Pedro Passos Coelho também deverá marcar presença esta quinta-feira.

O encontro conta ainda com a presença do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.