Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos preserva orgânica do Governo para não atrasar mais o Orçamento de Estado

  • 333

Passos Coelho já terá nomes ministeriáveis na cabeça, mas só faz convites depois de ser indigitado

Marcos Borga

Enquanto espera ser indigitado pelo PR para formar Governo, Passos Coelho prepara-se. Escolhe nomes e deverá manter o essencial da orgânica do Executivo para não atrasar mais a aprovação de um Orçamento. Chegará lá?

O anúncio de António Costa sobre um acordo à esquerda não altera, para já, os planos de Pedro Passos Coelho. O líder da coligação que ganhou as eleições espera ser rapidamente indigitado por Cavaco Silva e prepara um Governo sem grandes alterações na orgânica, por forma a não atrasar a aprovação de uma proposta de Orçamento de Estado.

Ao que o Expresso apurou, Passos deverá manter o essencial da estrutura do atual Executivo. '“A prioridade é não atrasar o Orçamento e a orgânica deverá ser mantida no essencial”, confirma fonte próxima do primeiro-ministro.

Esta terça-feira, à saída do encontro que teve em Belém com o Presidente da República, Passos Coelho já tinha considerado “indispensável que haja alguma celeridade no desenrolar do processo”. A expetativa na cúpula da coligação é que Cavaco indigite Passos até quinta-feira, e que o Governo possa tomar posse até domingo.

Nomes de ministros em segredo

Sobre nomes, o silêncio é total. Passos Coelho disse ao Expresso no final da campanha eleitoral que tinha o elenco de um futuro Governo “razoavelmente decidido” na sua cabeça. Mas não fará convites antes de ser indigitado.

O conselho deixado no domingo por Luís Marques Mendes na SIC - que Passos devia fazer um Governo muito forte - pode não ser facilmente exequível, por estar em causa mobilizar pessoas para um Executivo cuja durabilidade não está garantida.

Para já, Passos e Portas estão determinados em mostrar que nem lhes passa pela cabeça que Cavaco não os chame a governar e que não será por eles que o processo continuará a ser retardado.

A aprovação de um Orçamento de Estado foi referida pelo líder da coligação, no fim do encontro com o PR, como uma prioridade. Na altura, Passos alertou que “se o próximo Governo não tiver estabilidade, haverá um adiamento do investimento e da nossa capacidade de crescer e criar emprego”. Ou seja, não está apenas em causa viabilizar um programa, mas também a necessária “aprovação de um Orçamento”.